ONU retira pessoal não essencial da Síria, UE reduz actividades "ao mínimo"

Agravamento dos combates e deterioração das condições de segurança ditaram a decisão. Combates podem já ter chegado ao aeroporto de Damasco

Fotografia feita em Damasco, na mesma altura em que as estradas para o aeroporto eram cortadas devido a confrontos entre os rebeldes e tropas do exército do regime sírio JAVIER MANZANO/AFP

As Nações Unidas anunciaram esta segunda-feira que vão retirar da Síria o seu “pessoal internacional não essencial”, ou seja, 25 pessoas no conjunto de uma centena, e que vai limitar as deslocações dos seus funcionários no país devido ao agravamento das condições de segurança. A União Europeia anunciou também que vai reduzir as suas actividades "ao mínimo" em Damasco.

Segundo o serviço noticioso das Nações Unidas, a IRIN, que depende do gabinete de coordenação de questões humanitárias (OCHA), a ONU decidiu  suspender todas as deslocações para fora de Damasco. A IRIN dá conta de uma aumento dos ataques a colunas de veículos da ONU que são apanhados no fogo cruzado entre os rebeldes e as tropas do regime.

"A situação de segurança tornou-se extremamente difícil, incluindo em Damasco", disse Radhouane Nouicer, coordenador da ajuda humanitária na Síria, citado pela IRIN: "A ONU vai ter de reavaliar a dimensão da sua presença no país, bem como a forma como fornece a ajuda humanitária."

Segundo  um responsável pela segurança da ONU na Síria, Sabir Mughal, "a situação está em vias de mudar de forma significativa" no país. "Os riscos aumentaram para o pessoal das agências humanitárias por causa das balas perdidas e dos confrontos entre as duas partes."

Também a representação da União Europeia em Damasco vai reduzir as suas actividades "ao mínimo" devido ao agravamento das condições de segurança na capital síria, disse à Reuters um porta-voz da responsável pela Política Externa e de Segurança da União Europeia, Catherine Ashton.

Esta segunda-feira, num sinal de que os combates entre as forças pró-Assad e os combatentes da oposição estão a intensificar-se, os pilotos de um avião da EgyptAir não aterraram no aeroporto de Damasco, após terem recebido uma mensagem das autoridades egípcias, dizendo que, de acordo com informações de Damasco, o aeroporto da capital síria se encontra numa "situação de má segurança".

As autoridades egípcias ficaram a par desta informação depois de as brigadas rebeldes islamistas Osama Bin Zeid terem lançado um alerta aos civis para que não fossem até à estrada de 12 quilómetros que leva ao aeroporto de Damasco, descrevendo-a como "território de combate". A mensagem chegou às autoridades egípcias, que por razões de segurança ordenaram o recuo até ao Cairo do voo 721.

Esta situação pode ser um indício de que esteja a haver confrontos pela conquista do aeroporto entre as tropas rebeldes e o exército leal ao regime de Bashar al-Assad. O controlo do aeroporto pode ser um factor determinante para o desfecho do confronto entre as duas partes beligerantes.

A EgyptAir já tinha interrompido os voos para as cidades sírias de Damasco e de Alepo durante o fim-de-semana, por razões de segurança. Essas restrições foram levantadas esta segunda-feira pela EgyptAir, que comunicou que esta decisão tinha "chegado depois da coordenação entre a embaixada egípcia em Damasco e a representação da EgyptAir na Síria". Foi também comunicado que as condições de segurança nas estradas que levavam aos aeroportos de Damasco e de Alepo eram "estáveis". Algo que não se veio a comprovar.

Notícia actualizada às 20h19
 
 

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