O primeiro discurso de Suu Kyi no estrangeiro foi dedicado aos imigrantes

Suu Kyi foi recebida por milhares de compatriotas na Tailândia Foto: Sukree Sukplang/Reuters

A líder da oposição birmanesa, Aung San Suu Kyi, fez nesta quarta-feira o primeiro discurso no estrangeiro após 24 anos sem poder sair da Birmânia. Mais do que um discurso, San Suu Kyi fez uma promessa solene: ajudar os compatriotas na Tailândia, muitas vezes sujeitos a abusos.

A laureada com o Prémio Nobel da Paz, de 66 anos, foi recebida a sul de Banguecoque por apoiantes e dedicou as primeiras horas fora da Birmânia desde 1988 aos imigrantes que vivem na miséria e que estão sujeitos a más condições de vida naquele país vizinho.

“Posso fazer-vos uma promessa: darei o meu melhor por vós”, declarou a deputada aos milhares de birmaneses em êxtase que receberam Aung San Suu Kyi na província de Samut Sakhon (a sul de Banguecoque), onde está instalada uma grande comunidade de trabalhadores birmaneses.

Estima-se que cerca de 130 mil birmaneses vivam em campos de refugiados na Tailândia, depois de terem fugido às perseguições políticas levadas a cabo pela junta militar birmanesa que durante anos governou o país com mão de ferro. Muitos destes birmaneses arranjaram trabalho – ilegalmente – na Tailândia, estando sujeitos a actividades muito pesadas, sobretudo nos sectores da construção, indústria e pesca. Algumas pessoas trabalham em regimes que roçam a escravatura, indicam as agências internacionais.

Centenas de pessoas estavam reunidas desde a madrugada à espera da Prémio Nobel, empunhando cartazes onde se liam frases como “Birmânia livre” e “Queremos voltar para casa”.

“Vir aqui é um pouco como voltar à Birmânia”, declarou Aung San Suu Kyi aos jornalistas, saudando a coragem dos compatriotas “apesar das dificuldades pelas quais passaram”. “E todos eles diziam uma coisa: eles querem voltar à Birmânia o mais depressa possível, e isso faz parte das nossas responsabilidades, evidentemente”, acrescentou a líder política.

Depois de ter estado confinada a Rangum durante décadas, Aung San Suu Kyi conseguiu recentemente que o Presidente Thein Sein (reformista) lhe devolvesse o passaporte, estando por isso autorizada a sair do país. Em meados de Junho viajará para aquela que será uma viagem histórica pela Europa, deslocando-se a Genebra, Londres e Oslo (onde receberá o Prémio Nobel com 21 anos de atraso).

Suu Kyi irá estar presente nesta sexta-feira no Fórum Económico Mundial, que decorre em Banguecoque, e está igualmente previsto que se encontre com a primeira-ministra tailandesa, Yingluck Shinawatra.

Após esta visita à Tailândia, Suu Kyi deverá voltar à Birmânia antes de partir para o périplo europeu.

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