A líder birmanesa Aung San Suu Kyi aterrou na quarta-feira à noite na Suíça, após mais de duas décadas de prisão domiciliária. Genebra é a primeira paragem deste périplo europeu que atingirá o auge do simbolismo com a entrega do Prémio Nobel da Paz à líder birmanesa, 21 anos após a atribuição.
Antes de partir, Aung San Suu Kyi afirmou que só saberá quão para trás ficou a Birmânia depois de chegar ao continente europeu. “Farei o meu melhor em prol dos interesses do povo”, disse a líder asiática antes de partir.
Esta é a segunda viagem ao estrangeiro da Prémio Nobel da Paz, depois de ter visitado a Tailândia em Maio último.
Em Genebra – onde não prestou declarações à chegada - a líder birmanesa irá dirigir-se às Nações Unidas no início da visita e deverá igualmente discursar perante a Organização Mundial do Trabalho, onde falará do trabalho infantil e do trabalho escravo na Birmânia.
Esta é a primeira visita de Aung San Suu Kyi à Europa desde 1988, depois de ter passado a maioria dos últimos 24 anos de vida em prisão domiciliária. Foi libertada em 2010, depois de a Birmânia ter levado a cabo diversas reformas políticas, e acabou por conquistar um lugar como deputada em Abril deste ano.
As viagens para o estrangeiro que Suu Kyi começou a fazer deste Maio são um sinal de confiança na Administração do Presidente Thein Sein, que levou a cabo uma série de reformas desde que chegou ao poder, em 2011, naquelas que foram as primeiras eleições no país dos últimos 20 anos.
Depois da Suíça, a líder birmanesa seguirá para o Reino Unido, Irlanda, França e Noruega, onde aceitará o Prémio Nobel da Paz, que lhe foi atribuído in absentia em 1991.
Aung San Suu Kyi é a filha do líder do movimento pela independência birmanesa Aung San, assassinado em 1947. Tornou-se ela própria a líder do movimento pró-democracia na Birmânia depois de regressar ao país em 1988 – após vários anos no estrangeiro – a fim de cuidar da mãe doente.
Depois disso, Aung San Suu Kyi manteve-se sempre na Birmânia, ou em prisão domiciliária ou temendo que, se saísse, o regime militar já não a deixasse regressar ao país.
Para não arriscar , Aung San Suu Kyi não foi receber o Nobel, em 1991, nem sequer se despediu do marido, Michael Aris, que morreu em 1999. Juntos tiveram dois filhos, hoje adultos na casa dos 30 anos, que viveram praticamente toda a vida afastados da mãe.

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