Pelo menos 42 soldados sírios morreram no ataque aéreo israelita contra posições militares nos subúrbios de Damasco, diz o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.
“O destino de dezenas de outros soldados é desconhecido depois do raide israelita. Nos três locais atacados estão habitualmente 150 homens mas ignoramos se todos lá estavam durante o ataque”, disse à AFP Rami Abdel Rahman, director desta ONG que regista as vítimas da violência na Síria e que inicialmente tinha confirmado a morte de 15 soldados.
Na carta enviada à ONU a denunciar o ataque israelita, o regime de Bashar al-Assad diz que “esta agressão causou mortes e feridos e grave destruição nestas posições e nas zonas civis próximas”.
Segundo o Governo, aviões israelitas chegaram à capital síria depois de sobrevoarem o Sul do Líbano e “lançaram mísseis contra três posições das Forças Armadas da República Árabe Síria no nordeste de Jamraya, em Mayssaloun e no aeroporto de recreio de Al-Dimas”.
Em Jamraya terá sido atingido um centro de investigação militar, o mesmo que tinha sido visado pelo raide de Janeiro. Em Mayssaloun um depósito de munições. Muitos habitantes de Damasco sentiram a forte explosão provocada pelo ataque e da cidade viram-se as chamas que se espalharam pela montanha de Qasioun.
Apesar da ausência de uma confirmação oficial, vários políticos israelitas comentaram o ataque da madrugada de domingo, o segundo em poucos dias e o terceiro desde o início do ano. A mensagem que chega de Israel é que estes raides visaram impedir a passagem de armas sírias para o Hezbollah libanês, num sinal para o grupo xiita e para o Irão de que essas transferências não serão permitidas.
Um chefe militar de Teerão desmentiu esta segunda-feira que existissem armas iranianas nos locais atingidos, enquanto o ministro da Defesa de Teerão, Ahmad Vahidi, avisou que se Israel não puser fim a estes ataques “acontecimentos graves acontecerão na região e os Estados Unidos e o regime sionista não serão os vencedores”.
“O Governo sírio não precisa de armamento iraniano e esse tipo de informações fazem parte da guerra de propaganda e psicológica” contra a Síria, afirmou o general Massoud Jazayeri, adjunto do chefe do Estado-maior das Forças Armadas.
A Rússia afirmou-se "particularmente alarmada" com estes raides. "Estamos seriamente preocupados com os sinais de preparação da opinião pública para uma possível intervenção armada no conflito interno na Síria", fez saber o Ministério dos Negócios Estrangeiros num comunicado.
O ataque já tinha sido condenado pela Liga Árabe e o secretário-geral da ONU afirmou-se “muito preocupado”, apelando “ao respeito da soberania nacional e da integridade territorial de todos os países da região” e pedindo “a todas as partes para darem mostras de calma e evitarem uma escalada num conflito que já é devastador e muito perigoso”.

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