Assange quer fundar partido e concorrer a senador da Austrália

Fundador da WikiLeaks diz que os preparativos estão "significativamente adiantados"

O fundador da WikiLeaks está refugiado na embaixada do Equador em Londres Olivia Harris/Reuters

O fundador da WikiLeaks, Julian Assange, anunciou que vai candidatar-se ao Senado australiano e que está a preparar a formação de um partido político.

Numa entrevista ao grupo australiano Fairfax Media, Assange – que se refugiou na embaixada do Equador em Londres em  Junho e aí permanece, após ter pedido asilo político – afirmou que vai concorrer às eleições federais de 2013 e garantiu que "várias pessoas respeitadas pelo povo australiano" já aceitaram representar o futuro partido.

Para concorrer ao Senado australiano, Julian Assange terá de registar um partido político, com pelo menos 500 membros, e alcançar um mínimo de 2% dos votos. Na mesma entrevista, o fundador da WikiLeaks disse ainda não ter decidido se irá concorrer pelo estado de Victoria ou pelo estado de Nova Gales do Sul.

Segundo o site do jornal australiano The Age, é o pai biológico de Julian Assange, John Shipton, quem está a liderar o processo com vista à formação de um partido político. Na mesma entevista ao grupo Fairfax Media, Assange disse que o objectivo do partido WikiLeaks será "promover a transparência na governação e na política" e "combater a crescente intromissão na privacidade individual".

Ouvido no programa de rádio 3AW, do grupo Fairfax Media, o senador independente Nick Xenophon admitiu que Assange tem hipóteses de ser eleito senador: "Haverá um novo nível de escrutínio e terá de haver mais transparência, o que provavelmente não o perturbará de todo."

Mas há ainda alguns obstáculos que Assange terá de ultrapassar. "Se ele concorrer por Victoria, por exemplo, vai precisar de umas três mil ou quatro mil pessoas para abranger todas as mesas de voto", frisou o senador australiano.

Um problema será o facto de Assange estar refugiado na embaixada do Equador em Londres: "Se ele tiver direito a qualquer outra nacionalidade, outro passaporte, terá de renunciar. É uma formalidade, apenas terá de declarar que renuncia a qualquer outra nacionalidade", explica Nick Xenophone.

O mesmo senador abordou também o facto de Julian Assange não estar na Austrália, mas disse que isso pode não ser um impedimento: "Poderíamos pensar que ele tem de viver no país, mas enquanto puder demonstrar que está temporariamente fora da Austrália e que a Austrália continua a ser o seu primeiro país de residência..." A este respeito, Julian Assange já fez saber – na entrevista à Fairfax Media, citada pelo jornal The Age – que se for eleito e não puder regressar ao país, nomeará um substituto para ocupar o seu lugar no Senado.

O mais complicado será resolver outra questão levantada pelo jornalista do programa 3AW: poderá Assange concorrer enquanto tiver o estatuto de asilo político? "Seria uma discussão constitucional muito interessante", respondeu o senador Nick Xenophone. "Se ele tiver acusações pendentes e se estiver retido na embaixada do Equador em Londres, acho que terá aí um desafio", afirmou.

Quanto às possibilidades de Assange ser eleito senador da Austrália, Xenophone salientou que o passado eleitoral do país tem mostrado que "não basta ser-se popular para se ser eleito", mas admitiu que a presença do fundador da WikiLeaks nas redes sociais pode beneficiá-lo. Um indicador deste facto é o inquérito que está online no site do jornal The Age: "Votaria em Julian Assange?" Dos quase 20 mil votos até ao fim da manhã desta quinta-feira, 72% caíram para o lado do "sim".
 

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