Testes de ADN para confirmar morte de comandante da Al-Qaeda no Magrebe Islâmico

Imprensa noticiou que Abu Zaid, responsável pelo sequestro de dezenas de estrangeiros na região do Sara, foi morto numa operação das forças francesas no Norte do Mali. Paris não confirma informação.

O jihadista argelino num vídeo divulgado no início deste ano AFP/Sahara Media

As autoridades argelinas estão a realizar testes de ADN a dois familiares de Abu Zaid para confirmar a informação de que o comandante da Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI) terá sido morto em combates com as tropas francesas, no nordeste do Mali. Paris diz não poder confirmar o óbito que, a ser verdade, representa um golpe para o grupo terrorista.

Emir do AQMI na região do Sara e um dos braços direitos do líder da organização, Abdelmalek Droukdel, Zaid terá sido responsável pela morte de vários reféns sequestrados na região. Foi também um dos responsáveis pelo reino de terror imposto pelos extremistas islâmicos durante os 10 meses em que controlaram o Norte do Mali – em Tombuctu, cidade património da Humanidade, o AQMI e os aliados locais praticaram amputações e destruíram mausoléus em nome de uma versão radical do Islão.

Quinta-feira, a televisão independente argelina Ennahar, com boas fontes junto do Exército, noticiou que Zaid foi morto dias antes, juntamente com 40 dos seus homens, numa operação que envolveu bombardeamentos aéreos e uma ofensiva terrestre, conduzida pelas forças francesas, com o apoio de soldados do Mali e do Chade.

Uma fonte dos serviços de informações francesas disse, depois, ao jornal Le Monde que o ataque terá ocorrido sábado na zona de Etagho, um dos locais de mais difícil acesso da remota região de Adrar de Tigharghar, próxima da fronteira argelina. O jornal francês acrescenta que há muito a zona está referenciada como refúgio do AQMI, que para ali terá levado alguns dos reféns capturados – uma actividade que se tornou a sua principal fonte de financiamento.

Uma porta-voz do Governo francês não desmentiu a informação, mas sublinhou que “deve falar-se no condicional”, uma vez que “não há confirmação oficial”. “Há informações que circulam, que não tenho como confirmar”, disse, por seu lado o Presidente francês, François Hollande, enquanto alguns dos seus assessores dissera à AFP que compete ao Governo do Mali identificar os mortos.

Já nesta sexta-feira, o diário argelino El Khabar noticiou que “os serviços de segurança estão a comparar o ADN de dois familiares próximos de Abu Zaid com amostras recolhidas junto dos restos de um corpo entregue pelas forças francesas”. Dois residentes de Kidal, a principal cidade do nordeste do Mali e a última a ser retomada pelas forças francesas, no início de Fevereiro, disseram à Reuters não ter dúvidas sobre o destino do dirigente islamista. “A morte de Abu Zaid foi confirmada por vários dos seus apoiantes que regressaram das montanhas”, afirmou Oumar Toure, um mecânico da cidade, referindo-se aos resultados de uma semana de ofensiva do Exército francês e dos seus aliados do Chade contra os redutos islamistas.

Zaid, cujo verdadeiro nome é Mohamed Ghdiri, tornou-se conhecido das autoridades em 2003 durante o mediático sequestro de 32 turistas europeus no Sul do país – acção reivindicada pelo Grupo Salafista para a Prédica e Combate, antecessor do AQMI, e que valeu a Zaid a condenação a prisão perpétua num julgamento à revelia. Nos anos seguintes o nome do jihadista surge associado a vários sequestros, alguns dos quais acabaram na morte das vítimas, caso do britânico Edwin Dyer, degolado em 2009 depois de Londres ter recusado pagar o resgate.

Os serviços secretos franceses acreditam que Zaid manteria consigo quatro reféns franceses sequestrados pelo AQMI em 2010 numa exploração de urânio no vizinho Níger. O seu paradeiro é agora a principal preocupação do Governo francês.
 
 

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