Arábia Saudita quer reabilitar terroristas da Al-Qaeda num centro de luxo

A ideia é combater o terrorismo "através do diálogo e da persuasão", diz o responsável pelo centro.

A Arábia Saudita vai abrir um centro de reabilitação de luxo para extremistas religiosos da Al-Qaeda em Riade. Os prisioneiros, para além de sessões de aconselhamento e de diálogo sobre religião, vão ter acesso a tratamentos de spa, uma sauna, uma piscina olímpica e um ginásio.

Já há sete anos que a Arábia Saudita tem um Centro de Tratamento e Aconselhamento Príncipe Mohammed bin Nayef, mas será a primeira vez que um complexo terá valências de luxo. Este novo centro será composto por 12 edifícios espalhados por um terreno de dimensão equivalente a dez campos de futebol. No total, terá capacidade para 228 prisioneiros ao mesmo tempo, e o ministro do Interior saudita espera que perto de 3000 extremistas passem por este processo de reabilitação.

Reabilitação que, aliás, está já em curso num centro em Jeddah e está prevista para outros três centros a serem construídos em diversos locais do país. De acordo com o director do sistema, Said al-Bishi, já passaram pela reabilitação 2336 prisioneiros da Al-Qaeda. "Temos de dar [aos terroristas] um equilíbrio psicológico e intelectual", disse à AFP.

Ainda segundo este responsável, "a percentagem dos que voltam a integrar" grupos jihadistas "não excede os 10%", o que Bishi considera "encorajador". No entanto, o programa de reabilitação não é consensual. Saeed al-Shehri, líder da Al-Qaeda na península aAábica, regressou ao grupo após ter sido alvo de reabilitação. Isto leva a que alguns liberais acusem o programa de ser quase tão radical como a própria filosofia da jihad.

"Para tratar o problema desde a raiz, é preciso desafiar o pensamento extremista com uma filosofia iluminada, não apenas com outras ideias salafistas que são apenas um pouco menos extremas", declarou à AFP o sociólogo saudita Khaled al-Dakheel.

A península Arábica é considerada pelos Estados Unidos a região do mundo onde a Al-Qaeda tem mais influência e operacionais. Os prisioneiros que passem pelo novo centro de reabilitação estarão juntos em grupos de 19 por cada edifício e terão acesso a suítes quando as famílias os forem visitar, bem como dias de licença para passarem com as respectivas mulheres, caso demonstrem bom comportamento.
 

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