Bandeiras de Portugal e de outros países queimadas na Bolívia

Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, vai nesta terça-feira ao Parlamento prestar esclarecimentos sobre o caso.

O caso do avião do Presidente Evo Morales da Bolívia, impedido de aterrar em Portugal e de sobrevoar o espaço aéreo de Espanha, Itália e França, por suspeitas de ter a bordo o agente informático Edward Snowden procurado pelos EUA, não está encerrado. Centenas de apoiantes de Morales manifestaram-se nesta segunda-feira frente à embaixada dos Estados Unidos em La Paz, onde queimaram as bandeiras de Portugal, França, Espanha e EUA.

Esta manifestaçaão aconteceu no mesmo dia em que o Governo da Bolívia decidiu chamar os embaixadores de França, Espanha e Itália e o cônsul de Portugal ao Ministério dos Negócios Estrangeiros para prestarem explicações oficiais sobre a polémica que envolveu a viagem do Presidente da Bolívia. 

Durante os protestos, os apoiantes de Morales exigiram o encerramento da embaixada dos EUA em La Paz – uma hipótese já colocada pelo Presidente na cimeira da semana passada, em que recebeu o apoio de vários líderes da região, seis dos quais exigiram desculpas públicas aos quatro países europeus à Bolívia.

“A minha mão não tremeria para fechar a embaixada dos Estados Unidos”, disse Morales. Temos a nossa dignidade, a nossa soberania, sem os Estados Unidos, sentimo-nos melhor do ponto de vista político e democrático.

A decisão de chamar os diplomatas europeus ao Ministério dos Negócios Estrangeiros em La Paz foi tomada em Conselho de Ministros, que espera uma “explicação franca e clara da parte desses países” sobre a decisão de impedirem a passagem do avião presidencial, afirmou, citada pela AFP, a ministra da Comunicação Amanda Davila, que classificou a medida como “terrorismo de Estado”.

Amanda Davila acrescentou que o Governo pediu que os diplomatas estrangeiros clarificassem “de onde surgiu a versão de que o senhor Snowden viajava a bordo do avião presidencial. Quem espalhou essa falácia, essa mentira?”, questionou.

A posição oficial do Governo português, transmitida na quarta-feira e reiterada dois dias depois, pelo porta-voz do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, referia apenas onsiderações técnicas. Paulo Portas vai nesta terça-feira ao Parlamento prestar esclarecimentos, a pedido do PCP.

Na sexta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol disse numa entrevista à estação TVE que as decisões sobre o voo do Presidente Evo Morales foram tomadas por suspeitas de que o norte-americano Edward Snowden, acusado de traição pelos Estados Unidos por revelar informações secretas sobre a existência de um programa de vigilância do Governo norte-americano em larga escala, seguia a bordo do avião.

José Manuel García-Margallo explicou que tinha sido informado da presença de Snowden no avião do Presidente da Bolívia, que partiu de Moscovo na segunda-feira e ficou retido 13 horas em Viena, na Áustria, depois de Portugal ter revogado a autorização de aterragem para reabastecimento e de França e Itália terem fechado os respectivos espaços aéreos. O avião acabaria por aterrar em Las Palmas para reabastecimento.

Venezuela, Bolívia e Nicarágua entretanto concederam asilo a Edward Snowden.
 

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