A UMP, o partido da direita francesa, está mais próximo de uma cisão, depois de o ex-primeiro-ministro François Fillon ter anunciado que os deputados que apoiam a sua candidatura à liderança se vão juntar num grupo parlamentar autónomo. A iniciativa visa forçar Jean-François Copé, anunciado como vencedor da votação de dia 17, a aceitar a repetição das eleições.
Os apoiantes do actual secretário-geral do partido falam numa “forma de chantagem” feita sobre todo o partido e o próprio Copé disse, em entrevista à rádio France Info, que não pretende ceder às pressões do rival. “Esta não é a hora para, no calor do momento, na amargura e no lamento, dizer: ‘Temos de voltar a votar’”.
Ontem ainda se chegou a acreditar que a guerra civil instalada no partido poderia estar mais próxima de uma resolução, com o anúncio de uma tentativa de mediação do ex-Presidente e ainda líder do partido, Nicolas Sarkozy, que falou durante o dia com os dois candidatos à sua sucessão. Mas as esperanças revelaram-se infundadas quando, ao final da tarde, Fillon considerou “ilegal” a decisão da comissão de recurso do partido que, após analisar as queixas dos dois candidatos, voltou a dar Copé como vencedor do escrutínio. O organismo reexaminou a contagem em meia dúzia de círculos onde havia suspeitas de irregularidades (anulou o voto em três e alterou a contagem noutros dois), aumentando a vantagem do secretário-geral para 952 votos (contra os escassos 98 que separaram os dois candidatos na primeira contagem de votos).
“Ninguém é hoje presidente da UMP”, reafirmou Fillon, num encontro com deputados que apoiam a sua candidatura, sublinhando que “o intolerável já durou demasiado tempo”. “Quero de forma muito concreta que voltemos a votar […] A democracia, a verdadeira, é a única solução”, acrescentou o candidato centrista, que acusa o campo adversário de fraudes eleitorais.
Pouco depois, vários deputados que o apoiam anunciaram, nas redes sociais, a intenção de criar um novo grupo parlamentar a que pretendem chamar “União-UMP”. À AFP, o antigo ministro Laurent Wauquiez disse que a bancada secessionista poderá contar com “mais de 50” parlamentares.
Nas legislativas de Junho, ganhas pelo Partido Socialista Francês, a UMP elegeu 196 deputados. No entanto, a lei francesa obriga todos os deputados a oficializar a bancada a que pertencem, no âmbito da ajuda financeira concedida pelo Estado aos partidos (42 mil euros por parlamentar). A filiação tem de ser anunciada até ao final do mês, o que dá a Fillon a oportunidade de criar um grupo autónomo.
Dominique Dord, ex-tesoureiro do partido, que se demitiu segunda-feira acusando Copé de usar os meios do partido ao serviço da sua candidatura, explicou ao Le Monde que este será um grupo provisório e com ligações à bancada-mãe. “A ideia é que continuemos todos na casa comum que é a UMP […], mas dentro dessa casa vamos continuar a exigir uma nova eleição para a presidência”. Um outro deputado disse ao mesmo jornal que Fillon desistirá também de recorrer aos tribunais se o rival aceitar uma nova votação.

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