Pela primeira vez em muitos meses de campanha eleitoral, Barack Obama surge em várias sondagens com nota positiva para metade dos americanos.
E a muito falada maior confiança dos eleitores em Mitt Romney para lidar com a economia parece ter-se desvanecido, na semana em que foi conhecido o vídeo do candidato republicano a dizer que nem sequer se ia preocupar com "47%" dos seus compatriotas, os que não pagam impostos e votam em Obama.
No Ohio, Virgínia e Florida, os mais cobiçados dos nove estados que tanto votam democrata como republicano, sondagens conhecidas esta semana dão uma vantagem de cinco pontos a Obama. O mesmo aconteceu em estudos de opinião a nível nacional, como o da Reuters/Ipsos de quinta-feira, em que Obama tinha 48% e Romney 43%.
Mas há outra tendência interessante que se revela nas sondagens. Romney, justificadamente ou não, tem feito render a sua imagem de financeiro de sucesso - como fundador da Bain Capital, e milionário avaliado em 250 milhões de dólares -, definindo-se como o mais apto a lidar com a economia, e a resolver os problemas do défice dos EUA. Por isso, a campanha republicana insistiu, antes da convenção de Agosto, em colocar a questão "está melhor agora do que estava há quatro anos?", recuperando uma frase que para Ronald Reagan serviu como arma contra James Carter em 1980.
Até há pouco tempo, as sondagens confirmavam o favoritismo de Romney para gerir a economia, no imaginário dos eleitores. Mas essa ideia parece ter mudado após as duas convenções em Agosto, do discurso de Bill Clinton na reunião dos democratas em Charlotteville - o Presidente democrata que deixou um superávit ao sair da Casa Branca, e que nos dois mandatos de George W. Bush se tornou num enorme défice - e de ser conhecido o vídeo em que o candidato republicano expõe a sua teoria de classes, falando a um grupo de dadores milionários.
A mudança é que várias sondagens esta semana dão vantagem a Obama nas questões sobre quem os eleitores consideram que poderá melhorar a economia e ter políticas mais geradoras de empregos.
As coisas vão melhorar
Segundo o colunista Greg Sargent do Washington Post, que tem o blogue Plum Line, foi assim nas sondagens da Fox News para os estados do Ohio, Virgínia e Florida, nas do New York Times/CBS/Quinnipiac para o Wisconsin e Virgínia, nas da NBC e do Wall Street Journal (WSJ). Obama tem mais negas do que louvores pela forma como gere a economia, mas vai à frente na pergunta sobre quem está mais bem preparado para liderar nos próximos quatro anos (47%-36%).
"O passado não está necessariamente a tingir as expectativas para o futuro. Mais pessoas estão a concluir que as coisas vão melhorar - 42% [na sondagem NBC/WSJ] dizem que no próximo ano a situação estará melhor, mais seis pontos desde Agosto e 15 desde Julho", diz Sargent. "Isto explica por que é que Obama vai à frente, e por que é que a grande questão da campanha de Romney - "está melhor do que há quatro anos?" - não é a grelha dominante que os eleitores estão a adoptar para escolher o próximo Presidente", conclui.
Quer isto dizer que sete semanas antes das eleições de 6 de Novembro Obama já ganhou, e Mitt Romney pode já arrumar as esperanças de alguma vez vir a ocupar a Casa Branca? Ainda não, dizem os analistas - isto é, se conseguir mudar radicalmente a narrativa e trajectória da corrida à presidência. Até agora, não o tem conseguido fazer.
Em Outubro terá grandes oportunidades de o tentar, pois haverá debates presidenciais. O primeiro é já no dia 3, em Denver (Colorado), e Romney tem treinado intensamente para estes frente-a-frente com Obama. Todas as sondagens dizem que, em termos de simpatia, de confiança, os americanos não hesitariam em escolher Obama; Romney tem de revelar uma faceta diferente, ou convencê-los de que é o que o país precisa, avançando pelos temas em que o Presidente é vulnerável, como o desemprego, que permanece acima dos 8%, e o fraco crescimento económico com um grande número de americanos a continuar a acreditar que o país vai pelo mau caminho em termos económicos.
Dinheiro ficou curto
Mas Romney está a enfrentar uma dificuldade acrescida na fase final da campanha: soube-se ontem que está com uma certa falta de dinheiro, após um mês de Agosto em que tanto o seu lado como o de Obama gastaram valores recordes.
Durante meses, Romney esteve à frente na angariação de fundos. Mas, no fim de Agosto, Obama tinha 88,8 milhões de dólares para os últimos meses da campanha, quase o dobro de Romney, adianta a Associated Press, citando números oficiais divulgados ontem. O candidato republicano tinha 50,4 milhões para gastar, e devia 15 dos 20 milhões de dólares de um empréstimo bancário que pediu em Agosto.
Estas contas mais apertadas de Romney já limitaram a sua capacidade de passar anúncios televisivos e exigirão do republicano um esforço suplementar para obter dinheiro de financiadores - afastando-se de cidades em estados fundamentais para a eleições, nota o New York Times.
Quanto a Barack Obama, além de grandes dadores, tem um fluxo constante de doações abaixo de 200 dólares, através da Internet, uma estratégia que vem já das eleições de 2008.

Comentários