Alemanha vai enviar mísseis e tropas para a missão da NATO na fronteira da Turquia

Ancara pediu o apoio da aliança atlântica na defesa contra a Síria. Damasco insiste que não tenciona utilizar armas químicas para combater oposição.

Mísseis Patriot na base militar alemã de Bad Suelze BERND WUSTNECK/AFP

A Alemanha vai enviar mísseis Patriot e 400 soldados para a fronteira da Turquia, no âmbito de uma missão de defesa de eventuais ataques da Síria solicitada pelo Governo de Ancara à NATO e aprovada pelos aliados atlânticos na terça-feira.

Num comunicado conjunto, os ministérios da Defesa e dos Negócios Estrangeiros da Alemanha disseram que o Governo germânico aprovou a participação na missão, que contará também com forças dos Estados Unidos e da Holanda, e terá um mandato de um ano, até 31 de Janeiro de 2014.

“A Turquia é presentemente o parceiro da NATO mais afectado pelo conflito na Síria e aquele que está mais exposto às potenciais ameaças [do recurso a armas químicas] do regime de Damasco”, notou o ministro alemão da Defesa Thomas de Maiziere.

O anúncio foi considerado como “provocatório” pela Síria, que classificou a decisão da NATO de reforçar as defesas na fronteira da Turquia como uma “conspiração” para uma futura intervenção militar estrangeira no país.

Citado pela AP, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Síria, Faisal Mekdad, disse que as movimentações dos aliados atlânticos não vão “afectar a determinação do Presidente Bashar al-Assad em esmagar os terroristas”, a designação utilizada pelo regime para os opositores que desde Março de 2011 exigem a demissão do Governo e a transição para a democracia.

O mesmo responsável desvalorizou o “refrão dos países da NATO” quanto à possibilidade do uso de armas químicas pelo Exército sírio: “Vou repetir pela centésima vez que mesmo que essas armas existissem na Síria, nunca seriam utilizadas contra o povo sírio. A Síria é um país responsável, jamais cometeria suicídio”, frisou Mekdad numa entrevista à cadeia libanesa Al-Manar TV.

Entretanto, a questão síria será abordada hoje pela secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, e o seu congénere da Rússia, Sergei Lavrov, num encontro bilateral com a presença do mediador internacional da ONU Lakhdar Brahimi, à margem da reunião da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), em Dublin.

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