Fuga de vapor em central nuclear francesa faz dois feridos ligeiros

Central de Fessenheim é a mais antiga em operação na França Vincent Kessler/Reuters

Uma fuga de vapor ocorreu esta quarta-feira numa central nuclear em França. Há notícias de dois feridos ligeiros mas nenhuma fuga radioactiva.

O incidente ocorreu às 15h00 (14h00 em Lisboa) na central nuclear de Fessenheim, no Alto Reno, próximo da fronteira entre a França e a Alemanha. Um porta-voz da EDF – a empresa que opera a central – disse inicialmente ter ocorrido uma fuga de vapor de água oxigenada, devido a um erro numa operação de manutenção. As notícias iniciais davam conta de dois funcionários com queimaduras nas mãos.

Mais tarde, num comunicado no seu site na Internet, a EDF falava na libertação de fumo devido a um derrame de água oxigenada, dizendo que nenhuma das nove pessoas no local do incidente apresentava ferimentos. A imprensa francesa, ainda assim, citava fontes no local a dizer que dois funcionários terão sofrido algum tipo de queimadura ligeira nos dedos, através das luvas.

Foi, segundo a EDF, “um pequeno problema”, ocorrido em instalações auxiliares da zona nuclear, mas não nos edifícios dos reactores. “Não houve fuga radioactiva”, disse um porta-voz da empresa, citado pela edição online do jornal Le Monde.

A Autoridade de Segurança Nuclear francesa confirmou à ministra da Ecologia e do Desenvolvimento Sustentável, Delphine Batho, que o incidente não levanta nenhuma questão de segurança, segundo uma nota do ministério.

O evento fez disparar o sistema de alerta e a presença de algumas dezenas bombeiros na central fez suspeitar, a princípio, que se tratasse de um incêndio.

Os dois reactores da central Fessenheim – com 920 megawatts de potência cada – entraram em funcionamento em 1977 e são os mais antigos entre os 58 que estão em funcionamento em França. Numa entrevista pouco antes de ser eleito, em Maio passado, o actual Presidente François Hollande disse que a central seria encerrada até 2017.

Ironicamente, o acidente desta quarta-feira ocorre no mesmo dia em que organizações anti-nuclear foram pedir à ministra Delphine Batho um calendário concreto para o fecho de Fessenheim. A central nuclear também é má vista pelos vizinhos alemães – num país que tem um plano concreto para abandonar gradualmente a energia nuclear.

Em França, ao contrário, a maior parte da electricidade vem da energia atómica. Em 2011, esta parcela correspondeu a 78% de toda a electricidade produzida no país, segundo dados da Agência Internacional de Energia Atómica. Um novo reactor está a ser construído e outros estão planeados, para substituir os que chegarem ao fim da sua vida útil.

Notícia actualizada às 18h10

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