Quando a arte não tem fim

Quanto vale uma obra? Christa Sommerer e Laurent Mignonneau compraram um quadro em leilão e colocaram-no em exposição. O seu valor aumenta a cada olhar: quanto mais tempo é observado, mais caro fica. “Hoje em dia, na economia actual, não se fala apenas de dinheiro mas da atenção que damos a algo ou obtemos de alguém. A atenção tornou-se a nova moeda na era da internet, especialmente nas redes sociais”, disse Christa.

A essência do trabalho desta dupla de artistas reside aqui: a obra de arte só está completa no momento em que há uma interacção com o espectador – que é também utilizador e co-criador da peça. Christa e Laurent conheceram-se no Instituto de Novos Media, em Frankfurt, Alemanha. Christa, formada em Biologia, queria seguir uma área mais criativa enquanto que Laurent, formado em Artes e autodidacta das tecnologias, utilizava os computadores como meio ideal para desenvolver os seus projectos. Em 1992, fizeram a primeira exposição juntos e desde então nunca pararam.

O trabalho do casal explora questões como o tempo ou os contantes processos de transformação ao longo da vida. O conceito é trabalhado em conjunto, mas é Laurent quem desenvolve a parte da programação. “Temos limites mas também muitas possibilidades. O ideal é que a tecnologia apareça em segundo plano de modo a passar a mensagem artística”, diz Christa.

Sommerer e Mignonneau já participaram em cerca de 250 exposições internacionais e as suas obras podem ser encontradas em museus e colecções de todo o mundo. Há quase 20 anos, fizeram a primeira exposição em Lisboa, no Centro Cultural de Belém. Estão de regresso à capital portuguesa a convite do festival PLUNC - festival internacional de Artes Digitais e Novos Media – para promover a importância da interactividade na arte. Quatro das suas instalações estão no Museu das Comunicações, em Santos, até 2 de Outubro.

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