Os 230 trabalhadores da Misericórdia de Chaves têm seis meses de salários em atraso e a garantia de que o subsídio de Natal de 2012 não irá ser pago, pelo que vão intentar ações em tribunal. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), a instituição deve mais de um milhão de euros aos trabalhadores.
Por este motivo, o coordenador do Norte do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), Jorge Pinto, revelou que em Janeiro irá intentar acções em tribunal para reclamar “o que é dos trabalhadores”. Jorge Pinto esclareceu que os funcionários estão a receber, mensalmente, um salário, mas têm quatro em atraso e dois subsídios de férias a receber, para além do de Natal deste ano.
Durante o último ano, referiu o sindicalista, a Santa Casa perdeu mais de 80 trabalhadores que continuam a ser os “verdadeiros sacrificados” com as dificuldades financeiras da instituição. O dirigente avançou ainda que o orçamento da instituição para 2013 foi aprovado sem prever qualquer verba para amortizar os débitos dos trabalhadores.
“Solicitámos uma reunião ao secretário de Estado da Segurança Social porque existe um compromisso do Governo para apoiar a Santa casa”, terminou. O Governo atribuiu, através do Fundo Social de Socorro, um subsídio no valor de 300 mil euros à Misericórdia de Chaves para se “reequilibrar financeiramente”.
Apesar disto, o provedor da Misericórdia de Chaves, João Paulo Abreu, há 15 meses no cargo, confirmou que o subsídio de Natal não irá ser pago porque não têm receitas. “Mas, dada a época natalícia vamos antecipar o pagamento do vencimento de Dezembro para a próxima sexta-feira”, garantiu.
O problema, admitiu,. é que neste momento é “humanamente impossível” pagar dois salários num mês. Por isso, João Paulo Abreu adiantou que a “única” hipótese para regularizar os salários em atraso é a angariação de receitas extraordinárias, o que passa por um empréstimo bancário de longa duração.
Até 30 de setembro, o passivo da Santa Casa era de 4, 5 milhões de euros. “A receita mensal da instituição ronda os 270 mil euros, dos quais 185 mil são para os vencimentos, sobrando 80 mil para pagar despesas correntes como água, luz e empréstimos”, frisou João Paulo Abreu. Na última assembleia, comentou, foi aprovada a venda de um terreno, cuja verba será para pagar as contribuições à Segurança Social que ascendem aos 90 mil euros.
O delegado sindical dos trabalhadores da Misericórdia de Chaves, José Carlos Fernandes, revelou que se instalou um sentimento de “revolta” porque a direção fez saber que, no próximo ano, o valor de salários em atraso poderá aumentar. “Há colegas que foram despejados por falta de pagamento da renda. Há situações muito complicadas”, realçou.
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