Trabalhadores da limpeza de Lisboa marcam greve para semana do Santo António

Sindicato considera que transferência de meios da Câmara para as freguesias “coloca em risco muitos postos de trabalho”

Lixo acumulado em Alfama José Fernandes

Os sindicatos dos trabalhadores do Município de Lisboa entregaram na sexta-feira um pré-aviso de greve para a semana de 10 a 16 de Junho, o que compromete os serviços de limpeza durante as festas dos santos populares.

“Hoje entregámos o pré-aviso de greve para o período entre 10 e 16 de Junho. Nesta semana haverá greve ao trabalho extraordinário e à recolha de lixo, avançou à agência Lusa Vítor Reis, do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa (STML).

“No dia 14, a greve é extensível a todos os trabalhadores do Município de Lisboa, excluindo o Regimento de Sapadores Bombeiros (RSB)”, acrescentou.

A greve foi convocada pelo STML e pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional (STAL) e o período em que decorrerá, durante as festas populares e o dia de Santo António de Lisboa (13 de Junho), “não é coincidência”, admitiu o responsável.

“É um período em que a atividade cultural na cidade de Lisboa é grande e, por isso, o impacto da greve será ainda maior”, realçou o sindicalista.

Contactada pela Lusa, a Câmara Municipal de Lisboa (CML) remeteu uma reação para este sábado.

Vítor Reis explicou que as razões que levam os sindicatos a avançar com esta ação de luta em Lisboa estão relacionadas com a lei 56/2012, aprovada na sequência da reorganização da cidade que levou à extinção de 29 freguesias alfacinhas.

“Há uma série de competências da CML que vão passar para a responsabilidade das freguesias, casos da varredura, jardinagem, escolas e equipamentos desportivos, numa lei que foi aprovada na Assembleia Municipal com os votos do PS e do PSD e na Assembleia da República com os votos destes dois partidos e do CDS-PP, e que deverá entrar em vigor a 1 de Janeiro de 2014”, afirmou.

Segundo o sindicalista, “esta transferência de meios financeiros, humanos e patrimoniais” da CML para as freguesias “não é nenhuma vantagem para a cidade, nem para os munícipes”, e “coloca em risco muitos postos de trabalho”.

Vítor Reis frisou que, além de se perderem as economias de escala relacionadas com os trabalhos feitos de forma integrada ao nível da limpeza e com as compras de material, que deixam de ser feitos pela CML e passam a ser da responsabilidade das freguesias, há o problema da perda de know how (conhecimento) que os serviços municipais detinham e que as freguesias, na sua opinião, não têm.

“As juntas não estão dotadas de meios para assegurar os serviços actualmente sob alçada da CML e, se houver alguma catástrofe natural, vai ser cada uma a tratar de si. Além de encarecer os serviços, como os contratos são de dois anos, nada nos garante que as freguesias no final desse prazo não contratem empresas privadas, e não sabemos o que poderá acontecer aos trabalhadores”, sublinhou.

O sindicalista assinalou que “há ainda o problema da mobilidade especial”, reforçando que os trabalhadores da CML temem pelos seus postos de trabalho.     

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