É uma das plantas mais raras de Portugal e esteve quase a desaparecer para dar lugar a eucaliptos. Agora, a Leuzea longifolia, uma espécie da família dos crisântemos e das margaridas, vai ser protegida através da criação, pela Quercus, de uma micro-reserva no concelho de Leiria.
A história desta espécie endémica, que só existe em Portugal, podia já ter terminado. Em 2009, o proprietário de um terreno de um hectare, na freguesia de Pousos, onde existe o maior núcleo de Leuzea longifolia, preparava-se para revolver o solo e plantar eucaliptos, o que iria destruir por completo a população.
“Soubemos disto através de uma denúncia. Se não fosse o nosso alerta e a pronta intervenção das entidades locais e das autoridades, teríamos perdido a espécie”, afirma Nuno Sequeira, presidente da Quercus.
A associação ambientalista interveio, comprou o terreno e pretende garantir a sobrevivência dos cerca de mil indivíduos que existem no local. Para isso, vai lançar nesta quarta-feira, em que se comemora o Dia Internacional da Biodiversidade, a sua 13.ª micro-reserva, criada com recurso ao Fundo Quercus para a Conservação da Nattureza.
A ocorrência desta espécie naquela zona tinha já levado à criação do Sítio de Importância Comunitária Azabuxo-Leiria, integrado na Rede Natura 2000, que abrange cerca de 22% do território português. Mas perante a “falta de capacidade” do Estado para gerir estas áreas, a Quercus decidiu assumir esse papel.
“O Estado limitou-se a estudar os valores naturais, delimitar as áreas a proteger e pôr isso na legislação. Muitos dos proprietários abrangidos pela Rede Natura 2000 nem sequer sabem por que motivo a área foi classificada, apenas conhecem as restrições”, lamenta Nuno Sequeira.
Segundo a Quercus, os poucos núcleos de Leuzea longifolia existentes no país têm um número reduzido de indivíduos e estão geograficamente afastados, o que aumenta a vulnerabilidade da planta. A associação acredita que a protecção do núcleo de Pousos, com a vedação do terreno e a gestão do habitat da espécie, pode ser a tábua de salvação para esta flor em risco de extinção.
Este projecto de conservação é "uma excelente notícia para a biodiversidade nacional", considera Nelson Saibo, o responsável pela organização em Portugal das comemorações do Dia Internacional do Fascínio das Plantas, que se assinalou no sábado passado.
“A micro-reserva funciona como um aglutinador de vontades: do proprietário, da Quercus, das autarquias e de entidades públicas com responsabilidades nesta área”, continua Nuno Sequeira, aplaudindo a recente decisão da autarquia de rebaptizar a rua de acesso à zona da reserva como Rua Rede Natura. “É bom ver que conseguimos sensibilizar os decisores políticos para a importância da biodiversidade,” remata.

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