Um incêndio numa habitação no bairro do Alto da Cova da Moura, na Amadora, provocou nesta madrugada quatro feridos, um dos quais um bebé com ano e meio. O menino foi internado em estado grave e acabou por morrer ao final da manhã.
O bebé tinha sido internado na Unidade de Cuidados Intensivos no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, onde deu entrada com "queimaduras graves" em 90% do corpo e “prognóstico reservado”, segundo disse à Lusa fonte hospitalar. A criança não resistiu e morreu.
Quando foi levado para o hospital, o menino apresentava "queimaduras e dificuldades de respiração", disse fonte policial. O incêndio provocou também ferimentos ligeiros num casal e numa jovem, mãe do bebé, que foram levados para o hospital Amadora-Sintra. O casal teve alta a meio da manhã e a rapariga, cuja idade não foi revelada, mantém-se internada "por precaução", segundo disse à Lusa fonte do hospital.
Fonte policial disse à Lusa que o incêndio terá começado entre a 1h30 e as 2h, numa situação “aparentemente provocada por um descuido”. A presidente da Associação Moinho da Juventude, Isabel Monteiro, que dá apoio social à comunidade do bairro, disse ao PÚBLICO que a habitação onde a família reside, uma casa com dois pisos, é "feita de tijolo e tem todas as condições", refutando a informação inicialmente avançada de que o fogo ocorreu numa barraca.
Em comunicado emitido a meio da tarde, a associação conta que uma mulher estava "à meia-noite a fazer a limpeza da casa" e conseguiu evitar um "drama muito maior", com o apoio do companheiro e dos amigos que "entraram dentro de um quarto em chamas". Nesta segunda-feira de manhã, amigos da família e vizinhos apoiaram na limpeza da casa. A habitação "é de alvenaria e continua em pé com pilares e vigas de cimento que resistiram ao incêndio", acrescenta.
Isabel Monteiro disse ainda que o casal, avó e avô da criança, estão "em estado de choque" e não consegue ainda falar do sucedido. O bebé era utente da associação, onde frequentava a creche.
O bairro do Alto da Cova da Moura, situado no concelho da Amadora, é um dos locais com grande concentração de população imigrante na Área Metropolitana de Lisboa, sobretudo de origem cabo-verdiana. Está oficialmente classificado como um bairro degradado de génese ilegal e ainda tem várias casas construídas ilegalmente, onde moram cerca de seis mil pessoas, segundo as associações que prestam apoio social naquela zona.

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