Cerca de três dezenas de funcionários da Boavex, empresa que presta serviço ao consórcio ViaPorto, concessionário que explora o Metro do Porto, manifestaram-se ontem contra o despedimento de 96 trabalhadores. Estes prestam trabalho na área da informação ao cliente, entre outras funções, e a ViaPorto decidiu passar a contratar esses serviços à Prosegur.
Entre o silêncio da Metro do Porto, uma lacónica declaração do consórcio Via Porto, que explora a rede de metropolitano na qual prestam serviço, e a inacessibilidade do responsável da Boavex, empresa para a qual (ainda) trabalham, 95 pessoas ligadas à informação ao cliente do metro perdem, no final do mês, o emprego. A Via Porto não vai renovar o contrato de prestação de serviços que mantinha com a Boavex, e entrega a 1 de Janeiro as tarefas que os funcionários desta desempenhavam aos elementos da Prosegur que fazem a segurança na rede de metropolitano.
A Boavex tem sede em Lisboa, mas as chamadas são reencaminhadas para o Porto, onde nos dizem que o sócio gerente não está. Fundada em 2010, quatro meses depois de o consórcio Via Porto ter ganho a concessão do metro do Porto, a empresa, que parece ter como única actividade ceder trabalhadores para funções de informação aos utentes do sistema de metropolitano, comunicou por e-mail a todos os 95 colaboradores que dispensava os seus serviços a 31 de Dezembro, com a justificação de que não viu renovado o contrato que mantinha com Via Porto.
Este consórcio liderado pelo grupo Barraqueiro, que tem meia dúzia de pessoas no quadro, com funções semelhantes às das de dezenas que subcontratava, apenas “confirma a alteração de fornecedor para o serviço de apoio comercial nas estações da rede do Metro do Porto”. Assegura que “esta alteração tem por base uma melhor eficácia e serviço de apoio ao cliente e explica que “a Prosegur, o novo fornecedor, passa a assegurar o serviço a partir de 1 de Janeiro de 2013” . A mudança, sabe o PÚBLICO, foi decidida depois de auscultada a Metro do Porto, porque o serviço em causa é uma das obrigações do contrato de sub-concessão ganho pela Via Porto (que, na verdade, se chama Pró-Metro).
O Sindicato Nacional dos Trabalhadores Ferroviários – que, segundo o dirigente Álvaro Pinto, até estava a negociar, em Novembro, um acordo de empresa com a Boavex – não consegue falar com a empresa prestadora de serviços nem com a Via Porto. Curiosamente, só o presidente da Metro do Porto aceitou recebê-lo, hoje. O sindicato considera que está perante um caso claro de violação das leis do trabalho e ontem levou os trabalhadores para um plenário em plena praça fronteira à estação da Trindade. Munido de uma carrinha apetrechada de sistema de som da qual saía um instigador refrão de Gabriel o Pensador – Até quando você vai levar porrada? –, o dirigente sindical viu cerca de três dezenas de funcionários da Boavex levantarem o braço para aprovar uma moção de repúdio pelos despedimentos.
Invocando a lei laboral, Álvaro Pinto exigiu que a nova entidade que venha a prestar o serviço de informação aos clientes absorva os trabalhadortes da Boavex que já cumprem essas funções sob ordem directa da Via Porto.
Em Dezembro de 2010, uma denúncia do Bloco de Esquerda levou a Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) a obrigar a Boavex a contratar 75 pessoas que mantinha, ilegalmente, a recibo verde. Agora, perante este caso envolvendo a mesma empresa, o sindicato dos ferroviários exige nova intervenção da ACT. Os trabalhadores, que receberam a indicação do despedimento por e-mail, nalguns casos, esses não escondem a sensação de terem sido “enganados”. Marcaram nova greve para o dia de Natal e admitem fazer uma vigília em frente à sede da Metro.
O responsável não está...
Dificil é chegar à fala com o empregador das 95 pessoas afectadas pelo despedimento. Liga-se para a Boavex (via páginas amarelas), atendem-nos da Boavista Expresso. “O responsável pela Boavex não está.”, diz-nos à terceira chamada uma voz feminina irritada que, trabalhando para a Boavista Expresso, responde também pela Boavex – Prestação de Serviços.
Esta empresa, sediada em Lisboa e com um capital social de cinco mil euros, tem como sócio gerente José António Pereira Barbosa e, com 10% do capital, Maria Margarida Pereira. Presta serviços na área do atendimento, orientação e informação em gares e estações de transportes públicos e privados, bem como serviços de transportes de mercadorias. Já a Boavista Expresso, fundada pelos mesmos dois protagonistas e com sede no Porto, na Avenida da Boavista, tem como actividade “entregas ao domicílio e estafetas”. A primeira empresa tem 95 empregados, a segunda tem apenas três.
Tal como ontem era já assinalado pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário, o sócio principal da Boavex e da Boavista Expresso surge entretanto ligado, como vogal da administração, à Just Dynamics, uma nova empresa no Porto, na Rua de Ceuta. Esta sociedade anónima dedica-se a várias actividades e, entre elas, à prestação de serviços de logística e de consultoria na área dos transportes, embora muito focada na área do turismo, como se percebe pelo seu sitio na Internet.
Notícia substituída às 18h55.

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