A antiga ponte rodoviária da Portela, em Coimbra, desactivada há nove anos, está a ser reabilitada e voltará a ser utilizada até final do ano, mas apenas por peões e ciclistas.
A reabilitação da travessia sobre o rio Mondego surge na sequência das obras na nova ponte da Portela, construída ao lado daquela, no sentido de aumentar para quatro as actuais três faixas de rodagem, em prejuízo dos passeios pedonais, disse à agência Lusa o vereador do Urbanismo na Câmara de Coimbra, Paulo Leitão.
O alargamento da nova ponte, inaugurada em Junho de 2004, visa facilitar a circulação do tráfego, que vai aumentar, uma vez que o acesso ao IC3/A13 (auto-estrada que liga Tomar a Coimbra) será feito nesta zona da cidade e não em Coimbra-Norte, como esteve projectado.
A ligação do IC3 a Coimbra-Norte (à A1 e ao IP3) foi abandonada na sequência da renegociação, em 2012, entre o Governo e a Ascendi (detentora da concessão rodoviária Pinhal Interior), que aceitou um corte no valor da parceria público-privada (PPP), pela não construção do lanço entre o nó de Ceira, na periferia urbana de Coimbra, e Coimbra-Norte.
A necessidade de alargamento da nova ponte da Portela resulta, essencialmente, do facto de o acesso do IC3 a Coimbra, anteriormente previsto para a margem direita do Mondego, na zona de Torres do Mondego, ter sido transferido para a margem esquerda do rio, na zona de Ceira. Esta alteração aumenta, naturalmente, o afluxo de trânsito àquela travessia do rio, mas facilita, designadamente em distância, o acesso à nova via por parte das populações de regiões como Lousã, Miranda do Corvo, Góis e Vila Nova de Poiares.
Construída na década de 80 do século XIX (foi inaugurada em Julho de 1873), a ponte metálica da Portela, que fazia parte da Estrada Nacional 17 (EN17), vulgarmente conhecida por Estrada da Beira, foi submetida a uma intervenção, em 2001 e 2002, na sequência de uma vistoria às suas condições de segurança, que implicou, designadamente, a limitação da sua utilização pelos veículos mais pesados.
Com a construção e entrada em funcionamento da nova travessia, há nove anos, a antiga ponte da Portela foi desactivada e interditada a sua utilização, tendo a Estradas de Portugal manifestado a intenção de a desmantelar, recorda Paulo Leitão, sustentando que o seu valor, designadamente no plano histórico, justifica a sua preservação.
A reabilitação da ponte metálica da Portela, que não implica qualquer investimento por parte do município, faz parte do conjunto de contrapartidas negociadas entre a câmara e a Ascendi na sequência da alteração do traçado do IC3 em Coimbra, e das quais faz também parte a construção de uma ponte rodoviária sobre o rio Ceira, em Cabouco, na freguesia de Ceira.

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