Pescadores da Póvoa de Varzim exigem obras nos molhes

O prolongamento, a norte, dos molhes permitiria que o mar não fosse tão revolto à entrada do porto Nelson Garrido (arquivo)

Os pescadores da Póvoa de Varzim exigem "intervenções profundas" nos molhes, disse hoje o presidente da Associação Pró-Maior Segurança dos Homens do Mar (APMSHM), durante uma viagem de barco, realizada com os jornalistas. A acção foi promovida pela candidatura do Partido Socialista à Câmara Municipal local.

José Festas insistiu na necessidade desta intervenção nos molhes, através do seu "prolongamento, sobretudo a norte", o que faria com que o mar não fosse tão revolto aquando da entrada e saída de embarcações. Se as obras fossem feitas evitariam também "a necessidade de desassoreamento nas próximas décadas", lembrou o presidente da APMSHM.

Recentemente, foi feita uma dragagem, mas José Festas considera que foi "insuficiente", porque "em vez de terem sido retirados 80 mil metros cúbicos de areia foram extraídos apenas 18 mil". Por isso, a entrada e saída da barra continua assoreada, o que a torna "muito complicada e perigosa" para as cerca de 60 embarcações que, diariamente, estão estacionadas no porto da Póvoa de Varzim.

Há cerca de duas semanas, o director delegado do Instituto Portuário e Transportes Marítimos (IPTM) esteve na Póvoa de Varzim e, na altura, explicou que a última "dragagem foi feita como previsto", tendo sido retirados 36 mil metros cúbicos de areia da Póvoa e de Vila do Conde. Joaquim Gonçalves explicou então que, a partir de Setembro, será feito "novo concurso público", o que permitirá uma nova dragagem nesta zona.

Mas como a draga não trabalha no Inverno, o equipamento só regressará ao mar na Primavera do próximo ano.

José Festas acha que "é inadmissível esta situação": "Vamos estar meses e meses a trabalhar nestas condições perigosas".

Pior do que o prejuízo para os pescadores é mesmo a possibilidade de ocorrência de acidentes.

"Qualquer dia alguém vai morrer à entrada ou saída da barra da Póvoa de Varzim e, depois, quero ver quem assume responsabilidades", avisou José Festas, que mantém a intenção de continuar a dar voz a estes protestos até que "a situação seja definitivamente resolvida".

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