Pedida condenação de suspeito de tentar matar testemunha no caso Noite Branca

Comerciante de automóveis de Gondomar foi sequestrado, roubado e agredido em Novembro de 2009. Abandonaram-no, gravemente ferido, em Vidago.

Caso Noite Branca envolveu várias mortes na noite do Porto em 2007 Fernando Valudo/Arquivo

O Ministério Público (MP) pediu nesta segunda-feira, no Tribunal de Chaves, a condenação de um dos quatro homens acusados de raptar, roubar e tentar matar uma testemunha do caso Noite Branca, um comerciante de automóveis de Gondomar.

Os arguidos, de 24, 30, 41 e 42 anos (residentes no Porto e Gondomar, que não prestaram declarações ao colectivo de juízes), sequestram em Espanha uma testemunha do caso Noite Branca, José Pires, de 42 anos, conhecida por “Pirinhos”, e abandonaram-na num descampado com ferimentos graves, na vila de Vidago, em Chaves, a 25 de Novembro de 2009, acusa o MP.

Além disso, incendiaram a sua viatura, depois de terem retirado seis mil euros à vítima. José Pires foi colocado numa “cova natural”, onde foi encontrado “por acaso” em estado de hipotermia e “fortemente” debilitado.

Na leitura das alegações finais, o procurador do MP referiu ser “indubitável” que o responsável pelos crimes foi o arguido Hélder Bianchi, detido no estabelecimento prisional de Paços de Ferreira, no âmbito de outro processo, e conotado com o "gangue de Valbom", associado a crimes diversos no Grande Porto. O procurador do MP frisou que provas como escutas telefónicas, sistemas de imagens e radares nas auto-estradas foram “mais do que suficientes” para provar que o crime foi executado pelo arguido e por outros indivíduos que não foi possível identificar.

A absolvição de os outros três arguidos não o “repugna”, porque não existem indícios “suficientemente fortes” da sua participação no crime, disse.

A advogada de José Pires, Marisa Oliveira, pediu a condenação de três dos quatro arguidos por a vítima os conseguir identificar “sem qualquer dúvida”. Na sua opinião, Hélder Bianchi não cometeu o crime sozinho, teve a ajuda de terceiros, mas foi aquele que deixou mais pistas. A advogada realçou que não é pelo facto de “Pirinhos” ter cumprido pena por tráfico de droga que o seu depoimento não deve ser tido como “credível”.

O advogado de Hélder Bianchi considerou que o arguido foi vítima de uma “montagem e ajuste de contas” e manifestou-se convicto de que será absolvido, porque “não existem provas” que o liguem a este caso. “Iria ficar muito surpreso se fosse de outra forma”, afirmou Paulo Magalhães Dias. E, acrescentou o defensor, “o MP presumiu que o arguido tinha praticado alguns factos com base em indícios que constam em inquérito, mas a prova demonstra a inexistência de factualidade”.

Os advogados dos outros dois arguidos pedem a sua absolvição por “falta de provas” e “incongruências” no depoimento da vítima.


A leitura do acórdão ficou agendada para dia 24 de Junho, às 14h. O processo Noite Branca esteá relacionado com uma série de acontecimentos violentos no Porto em 2007, dos quais resultaram mortes.
 
 

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