Pinhal do Rei parcialmente interdito até à remoção das árvores caídas

Câmara da Marinha Grande alerta população para não utilizar esta zona da Mata Nacional de Leiria na comemoração do feriado municipal, na próxima quinta-feira.

Uma parte da Mata Nacional de Leiria, conhecida como Pinhal do Rei, vai ser vedada à circulação automóvel e pedonal até que sejam retiradas as árvores que continuam caídas e outras em risco de cair, quase quatro meses após o temporal de Janeiro.

Em comunicado, a Câmara da Marinha Grande informa que “a área afectada abrange a estrada que ladeia o Ribeiro de Moel, desde a Fonte da Felícia até à rotunda da Ponte Nova e desta até ao Canto do Ribeiro (Praia Velha)”. Ao todo, ficam interditos 45,521 hectares, uma pequena parte dos 11 mil hectares do pinhal.

A autarquia pede “máximo cuidado” e alerta para a proibição de utilizar aquela parte da mata na próxima quinta-feira, dia de feriado municipal em que se comemora também o feriado religioso da Ascenção, que a população costuma celebrar com a realização de piqueniques no pinhal.

A decisão de interditar este troço foi tomada na segunda-feira à tarde, durante uma reunião entre técnicos da Protecção Civil municipal e distrital e do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). É este organismo que gere o pinhal, que ocupa dois terços do concelho da Marinha Grande, no distrito de Leiria.

Na reunião, convocada para avaliar o estado da mata após o temporal de 19 de Janeiro, concluiu-se que parte do pinhal não tem condições de segurança, por ainda não terem sido removidas as cerca de 110 mil árvores – segundo as contas da Protecção Civil municipal – derrubadas devido à intempérie.

“Esta situação é da exclusiva responsabilidade do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, que não diligenciou oportunamente a remoção das árvores derrubadas e de todas aquelas que revelam perigo”, critica a autarquia em comunicado.

O ICNF, por seu lado, em resposta a perguntas do PÚBLICO, afirma que já desobstruiu as estradas e outras áreas relevantes para o combate a um eventual incêndio e que "o risco existente é idêntico ao risco que existia anteriormente".

Já em Abril o presidente da Câmara da Marinha Grande, Álvaro Pereira (PS), tinha alertado para o problema, considerando que este poderá representar um “barril de pólvora” durante a época de incêndios. A primeira fase de combate a incêndios florestais, designada fase “Bravo”, tem início a 15 de Maio.

Na nota, a câmara manifesta a sua “extrema preocupação pela falta de resposta atempada dos serviços governamentais”, criticando o “desrespeito” por uma tradição antiga dos munícipes na celebração do feriado de 9 de Maio. O município liderado por Álvaro Pereira exige “medidas adequadas e urgentes” para evitar mais danos.

O ICNF contrapõe que a lenha das árvores derrubadas está a ser gradualmente vendida, dado que o mercado não teria capacidade para "absorver num só momento todo o material". As vendas foram "escalonadas no tempo, cumprindo os procedimentos previstos na lei, competindo a cada empreiteiro, ou a quem o material lenhoso é vendido, proceder à sua remoção e respectivos desperdícios", explica o organismo. 

Segundo a autarquia, o ICNF não adiantou uma data para a resolução do problema. Este diz estar "em diálogo próximo" com a câmara e a Autoridade Nacional de Protecção Civil e prevê que, "apesar do grande volume de material lenhoso a extrair", o processo esteja concluído até ao final do ano. 

Notícia actualizada com as declarações do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas.

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