Miu Miu e Avenida da Liberdade em contraciclo

Segunda loja do grupo Prada na artéria nobre da capital evidencia o lugar da moda e do luxo na situação do comércio de rua.

A avenida da Liberdade e o grupo Prada estão em contraciclo com o momento económico no retalho mundial Rui Gaudêncio

A experiência positiva de dois anos e meio da loja Prada Lisboa, alimentada tanto por consumidores portugueses quanto por estrangeiros, sobretudo do Brasil e África, fez com que o grupo italiano tornasse a marca Miu Miu, "a contrapartida instintiva e divertida da Prada", sua vizinha na Av. da Liberdade.

 

 A avenida e o grupo Prada estão em contraciclo com o momento económico no retalho mundial - o comércio de rua está em expansão em Lisboa e Porto, em parte graças às marcas de luxo, e os resultados do grupo cresceram 35% nos primeiros nove meses de 2012, com 33% das receitas vindas de uma Europa em crise.

A marca italiana de Miuccia Prada abriu ontem em Lisboa a sua 24.ª nova loja do ano, 450m2 em dois pisos, concebidos pelo arquitecto Roberto Baciocchi, com todas as linhas da marca, dos acessórios ao pronto-a-vestir. Tudo isto na principal avenida de uma capital de um país intervencionado, mas que nos últimos dois anos e meio viu abrir lojas de luxo mundiais, como a própria Prada, a Gucci ou a relojoeira Officine Panerai, prevendo-se ainda novas lojas Max Mara e Cartier para breve naquela artéria.

O líder do grupo Prada, Patrizio Bertelli, quer continuar a sua aposta na expansão de lojas próprias, diz ao PÚBLICO o director de comunicação do grupo, Stefano Cantino, em Lisboa. A estratégia começou em 2008, ano em que se instalou a crise que afecta sobretudo os EUA e o Sul da Europa, e traduziu-se na abertura de cerca de 80 novas lojas só no último ano. Mas "a Prada não tem uma crise particular" nestes mercados, nem no mercado global, diz Cantino, porque as marcas de luxo tendem a ser imunes a estes momentos de recessão.

Aliás, a Prada teve nos primeiros nove meses de 2012 um resultado operacional de 2,3 mil milhões de euros, um aumento de 35% em relação ao período homólogo de 2011, com as novas lojas a contribuir para o crescimento das receitas - 39% na Prada, 21% na Miu Miu, das quais 33% vindas da Europa.

Em Portugal, numa altura em que as grandes superfícies estão em maiores dificuldades, há um "movimento em contraciclo do comércio de rua", diz a consultora Cushman & Wakefield no seu Business Briefing anual sobre o comércio de luxo em Lisboa e Porto, pelo "subaproveitamento deste segmento", mas também pela "apetência natural que os operadores de luxo têm para estas localizações". Na Av. da Liberdade, a moda representa 64% dos mais de 17 mil m2 comerciais disponíveis.

A marca espera ter "feedback imediato" dos resultados da nova loja, diz Stefano Cantino - tal como aconteceu com a Prada Lisboa, que "superou as expectativas". "No imediato", a expansão para outras cidades portuguesas não está prevista, indica, em prol da "consolidação" das lojas existentes, mas cidades como o Porto podem ser uma opção para mais espaços.

 

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