Ministério da Saúde quer comprar o Hospital de São João da Madeira

Hospital da Misericórdia local já não fecha, como se chegou a supor, mas vai encerrar a Urgência entra as zero e as oito da manhã

Acordo deve ser assinado em breve entre a Misericórdia local e a Administração Regional de Saúde do Norte Adriano Miranda

O Ministério da Saúde pretende comprar o Hospital de São João da Madeira, e terrenos adjacentes, à Santa Casa da Misericórdia da cidade.

Esta intenção, que ainda não tem expressão oficial - e que deve traduzir-se, em breve, num acordo a celebrar entre a Administração Regional de Saúde do Norte e a Misericórdia -, significa que a unidade hospitalar não vai fechar portas, ao contrário do que  se chegou a supor, depois da perda consecutiva de várias valências, como a consulta de Pediatria.

Depois da compra, o Ministério da Saúde quer pôr a unidade a fazer 4000 cirurgias de ambulatório e 42 mil consultas externas por ano e encerrar o serviço de Urgência entre a meia-noite e as oito da manhã – sendo o São Sebastião, em Santa Maria da Feira, o hospital de referência durante esse período.

O provedor da Misericórdia de São João da Madeira, José António Vieira, adianta ao PÚBLICO que “há muito tempo” que o assunto tem vindo a ser abordado em reuniões com o presidente da câmara, Castro Almeida. “Não queríamos que o Estado abandonasse o hospital”, refere. Nesse sentido, a venda do equipamento e dos terrenos nunca foi posta de lado, desde que, sublinha, “isso fosse uma garantia de que o hospital continuaria a prestar serviços de saúde em São João da Madeira”. Só nessa condição é que o negócio pode avançar e só depois do "sim" da assembleia-geral de irmãos da Misericórdia, que terá sempre a última palavra.

Neste momento, não há valores em cima da mesa. José António Vieira revela que a quantia terá de ser definida após avaliação “externa e idónea”, a realizar por uma entidade independente à Misericórdia e ao Estado. Por enquanto, o provedor considera prematuro indicar em que será aplicada a verba que a instituição vier a realizar com a alienação do hospital.

Nos últimos anos, crescia o receio, em São João da Madeira, de que o seu hospital encerrasse, sobretudo depois da criação do Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga, concentrado no Hospital de São Sebastião, na Feira. A 17 de Setembro deste ano, uma comitiva do PS são-joanense, acompanhada pelo deputado e ex-secretário de Estado da Saúde Manuel Pizarro, esteve no Hospital de São João da Madeira. Então, os socialistas manifestaram apreensão pela indefinição estratégica e falta de recursos humanos nesta unidade. Pizarro afirmava que o hospital tinha já atingido “um grau de diferenciação e sofisticação em algumas áreas" que o punham a salvo de um "desmantelamento”.

O grupo socialista teve acesso, na ocasião, a vários dados sobre o movimento assistencial da unidade. Entre 2008 e 2012, registou-se um aumento de 16% nas consultas externas, com uma média de 200 utentes por dia, e de cirurgias - uma média de 17 por dia. Entre 2010 e 2012, o número de sessões de tratamento de psiquiatria aumentou 7,6%. A única excepção verificava-se na consulta aberta de medicina geral, com um decréscimo de 20,6% , desde 2008.
 

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