Se avançar nova ponte em Lisboa, Menezes reclama verbas do QREN e mais pontes no Porto

Uma "fatia substancial" do próximo QREN é a exigência do candidato do PSD ao Porto.

Menezes diz que o presidente da Câmara do Porto tem de ser um "gestor de esperanças" Francisco Veludo

Luís Filipe Menezes, candidato do PSD à Câmara do Porto, reclamou esta quarta-feira uma “fatia substancial” do próximo QREN (Quadro de Referência Estratégica do Nacional) “nunca inferior a um milhão de euros” para a segunda cidade do país e deixou um aviso ao Governo que caso avance com a terceira ponte em Lisboa estará na “primeira linha da frente a reclamar mais travessias para o Porto”.

”Se fizerem a terceira travessia em Lisboa como está no programa, aí, sim, vamos antecipar a nossa exigência de que se façam mais travessias no Porto. Mas se a teimosia de Lisboa avançar, vamos reclamar a construção de uma ponte no Candal e em D. Pedro V”, declarou o presidente da Câmara de Gaia, sublinhando que uma ponte no Porto custa 20 a 30 milhões de euros, enquanto uma travessia em Lisboa custa mil milhões de euros”.

Em declarações aos jornalistas depois da primeira reunião do núcleo central do conselho superior para a estratégia e supervisão económica e financeira da Câmara Municipal do Porto, que reúne um conjunto de empresários, gestores, mas também advogados, arquitectos, actores de teatro, professores universitários, entre outros sectores do Porto, Menezes puxou das contas para evidenciar a discrepância que existe em termos de investimento público entre Lisboa e o Porto a nível de travessias. E declarou: “Em Lisboa, nos últimos 20 anos, investiu-se em dinheiro público dois mil milhões de euros só em travessias, mil na Ponte Vasco da Gama e quase mil na travessia ferroviária da Ponte 25 de Abril”.

Um investimento gigante quando comparado com aquele que foi feito em igual período na segunda cidade do país. Segundo o autarca de Gaia, o ”investimento público no Porto com a construção das pontes do Infante e de S. João e viaduto do Freixo foi de 170 milhões de euros, ou seja, menos de 10% do valor investido em Lisboa com dinheiros públicos”.

“Os portuenses são importantes como os lisboetas”, decretou, reclamando ainda do Governo o pagamento de uma compensação financeira semelhante àquela que foi dada a Lisboa pela utilização dos terrenos do aeroporto do Porto e de um conjunto de outros terrenos que foram utilizados pela Sociedade de Transportes Colectivos do Porto.

A dívida do Estado à Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU), no valor de 2,4 milhões de euros (relativa aos anos de 2011 e 2012), não foi esquecida pelo candidato social-democrata. Para Menezes, “é ridículo que o Estado esteja a fazer guerra por dois milhões de euros”. Em defesa da SRU, Rui Rio promoveu uma carta aberta ao Governo com mais de 130 assinaturas, na qual reclama do Estado, detentor de 60% do capital da empresa, o pagamento da dívida, “vital” para a subsistência da SRU.

“Não recebo lições de moral”
Sublinhando que o “presidente da Câmara do Porto tem de ser um gestor de esperança e de expectativas positivas e do desenvolvimento e não a ideia que alguns estão a passar de que o presidente da CMP tem de ser o gestor da miséria, da desgraça e das restrições”, Menezes criticou o “discurso patético feito por candidatos que se dizem contra as políticas da troika “, numa alusão a Manuel Pizarro, candidato do PS, e Rui Moreira, que protagoniza uma candidatura independente ao Porto, e acusou-os de serem “mais troikianos do que a própria troika”. Porque, sustenta - “não se pode recuperar o [mercado] do Bolhão, não se pode recuperar o Silo-Auto e criar 300 novas empresas”, aludindo às críticas que ambos têm feito às propostas do candidato do PSD.

Contra as “conversas demagógicas” de Manuel Pizarro e Rui Moreira que o acusam de ter uma gestão despesista em Gaia, o autarca devolve as críticas e aponta: “Um deles foi membro do Governo mais despesistas de Portugal e deixou o maior buraco financeiro da história portuguesa do Ministério da Saúde (...), o outro não tem qualquer experiência de gestão... A pouca que teve foi para deixar um buraco de 8 milhões de euros na SRU”.

Perante isto, o candidato do PSD à Câmara do Porto disse não receber “lições de moral de nenhum deles” e desafiou-os a falarem dos projectos para o futuro, concluindo: “Eu penso o futuro”.

Miguel Cadilhe, Américo Amorim, Joaquim Azevedo, Ilídio Pinho, António Mota, José Ramos, Alcino Soutinho. António Reis, Ricardo Valente, Beatriz Pacheco Pereira, Manuel Violas, Júlio Cardoso são alguma das personalidades que integram o conselho superior para a estratégia e supervisão económica e financeira da Câmara Municipal do Porto, criado por Luís Filipe Menezes para acompanhar a futura gestão económica e financeira da autarquia, caso venha a ser eleito presidente do município portuense.
 

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