A maioria PSD/CDS chumbou esta terça-feira a audição do ministro das Finanças sobre a Casa do Douro. O Bloco de Esquerda queria que Vítor Gaspar explicasse ao Parlamento o que pretende fazer o Governo em relação à Casa do Douro, que não paga a 25 trabalhadores há 33 meses e deve ao Estado de cerca de 120 milhões de euros.
O líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, considera premente a resolução da situação destes 25 trabalhadores, recordando que outros funcionários estão a receber os ordenados, uns totalmente outros parcialmente. “Há trabalhadores que continuam a receber o seu salário, porque estão em funções públicas. Pertencem aos quadros do Ministério da Agricultura, mas há muito anos que trabalham na Casa do Douro”, explica Pedro Filipe Soares. Nas delegações, onde existem pontos de venda de vinho, os funcionários vão recebendo parte dos salários, em função das receitas, acrescenta o deputado bloquista.
“Temos consciência de que o problema da Casa do Douro é complicado de resolver. Este Governo teve dois anos para resolver e não fez nada. E o anterior teve a legislatura toda e também não o resolveu”, resume Pedro Filipe Soares.
"A ministra da Agricultura adiantou por várias vezes que seria encontrada uma solução para evitar a insolvência da Casa do Douro e para a regularização dos salários em atraso. No entanto, não foi tomada qualquer medida por parte do Governo para solucionar esta situação”, lamentava o BE no requerimento em que pedia a audição de Vítor Gaspar.
O documento foi apresentado depois de, no início de Maio, a ministra da Agricultura ter indicado, durante uma audição numa comissão parlamentar, que o ministro das Finanças era o responsável pela resolução deste problema.
A Casa do Douro é uma associação pública criada em 1932 e sedeada em Peso da Régua, na qual os produtores são obrigados a inscreverem-se. O seu objectivo principal era regular o preço a que o vinho da região era comercializado.

Comentar