A Serra do Alvão, Vila Real, registou este ano 15 horas de concentração de ozono superior ao habitual, o maior valor de toda a região norte. Mas este facto não preocupa nem afecta o quotidiano da população local.
A Estação de Monitorização da Qualidade do Ar do Douro Norte foi instalada no Parque Natural do Alvão (PNA) em Fevereiro de 2004. Desde então, e em todos os Verões repetem-se, as notícias sobre o ozono.
Segundo a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), desde o início do ano e até quinta-feira registaram-se, em toda a região norte, 17 horas de excedências ao limiar de informação ao público aplicável ao ozono, que ocorre quando atinge os 180 microgramas por metro cúbico (mg/m3).
Vítor Monteiro, chefe de divisão da CCDR-N, disse à agência Lusa que, destas 17 horas, 15 foram registadas na Estação do Douro Norte e duas em Frossos, Braga.
Este ano apenas foi ultrapassado uma vez o limiar de alerta, que ocorre quando os valores de ozono chegam aos 240 mg/m3. Esta ocorrência verificou-se também na serra do Alvão.
Em 2011, foram registadas 56 horas de ultrapassagem do limiar de informação e não houve nenhuma ultrapassagem dos limiares de alerta, em toda a região norte. O Douro Norte concentrou 30 horas.
Pelo Norte estão espalhadas 21 estações de monitorização, que avaliam os mais diferentes poluentes, de acordo com a área onde estão inseridos.
Na serra do Alvão, a vida prossegue sem sobressaltos. O presidente da Junta de Freguesia de Lamas d’Olo, Domingos Fernandes, disse à Lusa que a população continua a levar “uma vida normal”, não se notando alterações entre antes ou depois da colocação da estação ou dos alertas de ozono.
“Não se nota qualquer sintoma disto ou daquilo, nem nos idosos nem nas crianças. Lá vem periodicamente a informação de que a estação detecta acima dos níveis normais, mas para nós não alterou em nada a maneira de estar ou de agir”, garantiu.
O médico Francisco Esteves, do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD), explicou que este poluente é passível de causar essencialmente sintomatologia respiratória sobretudo em doentes sensíveis ou vulneráveis, nomeadamente em crianças ou asmáticos, e pode ainda provocar irritação ocular.
“No centro hospitalar não temos tido ou notado, sobretudo em populações desta região, que tenha havido um acréscimo ou uma exacerbação de doenças pulmonares previamente existentes nos doentes e que tenha de facto uma relação causa efeito com o fenómeno”, afirmou.
Segundo a CCDR-N, trata-se de um poluente secundário, ou seja não é emitido directamente por nenhuma fonte, resultando da reacção de outros poluentes entre si na atmosfera e em presença da radiação solar.
Os valores mais elevados deste poluente ocorrem geralmente no Verão, durante o período da tarde, coincidindo com a máxima actividade fotoquímica.
A origem do ozono troposférico é, por vezes, de difícil determinação, sendo que os poluentes responsáveis pela formação deste composto numa dada hora e local podem eventualmente resultar do transporte de emissões produzidas em locais a uma média ou longa distância.

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