Loteamento avança em Monte Santos apesar das críticas de ambientalistas

As obras das infra-estruturas provocaram uma clareira na paisagem Rita Baleia

A Câmara de Sintra aprovou o loteamento de Monte Santos, que se destina à construção de um hotel de luxo, zona comercial e 30 moradias junto ao centro histórico da vila. De pouco valeu o pedido de cidadãos e associações ambientalistas que subscreveram uma carta aberta ao presidente da autarquia para que travasse um projecto que aumentará a pressão urbanística junto à vila classificada património mundial pela UNESCO.

As máquinas abrem caminho por entre a vegetação e o mato rasteiro e o arvoredo de médio porte deram lugar a um pronunciado aterro. Os trabalhos decorrem desde há poucas semanas e abriram uma espécie de calvície no morro antes verdejante situado entre o pavilhão do Hockey Club e o Centro de Ciência Viva, na Ribeira de Sintra. Segundo Henrique Almeida, promotor do empreendimento, a aprovação do loteamento ocorreu em Dezembro e o alvará para as obras de infra-estruturas data de 13 de Maio. As autorizações chegaram com a viabilização de um Programa de Acção Territorial, que juntou vários proprietários para esta urbanização de perto de dez hectares.

O hotel inicial previa 78 quartos, mas na versão final terá 46, em 4112 metros quadrados, "com vista para cinco ícones de Sintra: o palácio da vila, o Castelos dos Mouros, o Palácio da Pena, o Palácio de Seteais e a Quinta da Regaleira", nota Henrique Almeida. A unidade, de cinco estrelas, deverá abrir portas em meados de 2013. Por essa altura também estará pronta a maioria das 30 moradias, com áreas de 240 a 500 m2, e as três a quatro lojas à entrada da urbanização, destinadas a pastelaria, supermercado gourmet e centro de fitness.

Câmara "compensada"

O promotor salienta que as moradias, com o máximo de dois pisos e cave, terão "coberturas ajardinadas", para uma maior integração na paisagem, e que "vão ser plantadas 550 árvores", nomeadamente carvalhos, "para que o impacte seja quase nulo". Com a operação agora iniciada os cofres camarários arrecadaram "compensações urbanísticas na ordem dos 400 mil euros", sem contar com outras taxas municipais, uma das obrigações decorrentes do licenciamento, pela impossibilidade de satisfazer as cedências legais em termos de espaços verdes e equipamentos colectivos. O investimento total rondará os 45 milhões de euros.

Os acessos, admite Henrique Almeida, terão ainda de ser objecto de estudo, para contornar as dificuldades em frente ao pavilhão do hóquei, mas o empresário considera que o empreendimento sai beneficiado, que não será fechado e pode vir a ter um elevador de ligação do hotel à paragem do eléctrico.

Para já, o vereador Baptista Alves (CDU) ficou sem resposta na última reunião de câmara quando questionou o presidente acerca das obras. O autarca defende que, embora o projecto possa cumprir planos em vigor, devia ser sujeito a uma avaliação de impacte ambiental. A vereadora Ana Queiroz do Vale (PS) disse, por seu lado, que a falta de informação decorre da concentração de competências em Fernando Seara.

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