Poucos conseguiram dormir na freguesia de Canhestros, no concelho de Ferreira do Alentejo, depois da morte de António Rosa. O jovem, de 27 anos, foi morto à porta de casa, cerca das 23h de quinta-feira, quando regressava de um pequeno passeio de automóvel com a mulher e o filho de dois anos. Os disparos foram feitos a partir de um automóvel.
Maria Sobral, moradora na Ria da Casa do Povo, onde o jovem foi atingido mortalmente com três tiros de caçadeira, recorda ter ouvido uns estrondos que a deixaram alarmada sem saber o que passava. A filha que estava em casa disse-lhe: “São tiros mãe, são tiros”. Abriram a porta da rua e viram um corpo estendido no chão e gritos desesperados da companheira da vítima, que apertava contra si a criança.
Vários testemunhos recolhidos pelo PÚBLICO descrevem que António Rosa saía do automóvel conduzido pela mulher, quando foi atingido nas costas por três disparos de caçadeira, vindos de uma viatura onde seguiam dois indivíduos.
Chamada a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER), o jovem foi assistido no local com várias tentativas de reanimação e transportado de seguida para o Hospital de Beja, “onde já chegou sem vida” adiantou ao PÚBLICO Graça Fortunas, porta-voz da unidade hospitalar. A autópsia deverá decorrer nesta sexta-feira, mas não se conhece qualquer informação sobre os seus resultados.
A população de Canhestros continuava aturdida na manhã desta sexta-feira com o acontecimento dramático que deixou toda a gente com medo “de qualquer estranho que chegue à terra”. As informações das pessoas são coincidentes em dois pontos: o carro que transportava o autor dos disparos seguiu a viatura do jovem casal e, depois de consumado o atentado, foi visto a entrar a grande velocidade na estrada que liga Ferreira do Alentejo ao IC1, próximo de Ermidas do Sado.
O presidente da Junta de Freguesia de Canhestros, Francisco Inverno, diz que o acontecimento deixou a população transtornada. Sobre as causas do dramático desenlace, o autarca não adiantou qualquer indício, assumindo desconhecer eventuais causas e razões. O que pode adiantar vem em abono do jovem António Rosa, um rapaz que era natural da Aldeia de Ruins, vizinha de Canhestros: "Sempre teve um comportamento normal e com quem eu me dava muito bem”, assinala o autarca, que diz ter andado “na escola com os pais do moço”.
Outro morador, António Messias, não era capaz de esconder o nervosismo que o insólito acontecimento lhe estava a causar. E a mulher não resistiu ao choro compulsivo quando lhe foi pedida uma leitura do que se passara na noite anterior. “Esta situação não caiu bem numa aldeia onde não acontece nada”, desabafou o homem, receoso de que a paz tenha acabado na aldeia. “Estão a dar-se coisas que não deviam existir”.
Esta é uma posição partilhada por outros moradores como Maria Fernanda Aniceto, que define o que se passou como uma “barbaridade” que não a deixou dormir. Algo parecido aconteceu há 14 anos, quando outro homem foi assassinado na aldeia, relatou a mulher, acentuado o “ bom trato” que tinha com António Rosa, que é filho do coveiro da aldeia.
Maria Sobral adiantaria ainda que o jovem assassinado “gostava muito de motas”, mas “não se dá notícia do rapaz se meter em coisas ruins”. A partir de agora, prossegue esta moradora, quando aparecer um estranho na aldeia “a gente vai ter que fazer de polícia” para que não se repita o que aconteceu às 23 horas de quinta-feira.
Eduardo Lérias, oficial de Relações Públicas do Comando Territorial de Beja da GNR, adiantou que os dois indivíduos presumíveis autores do atentado ainda se encontram a monte e que os tiros terão sido disparados "directamente contra a vítima" e do interior de outro veículo. A GNR tem informações sobre o veículo, que entretanto já terá sido encontrado abandonado. O caso está a ser acompanhado pela Polícia Judiciária.

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