Ainda abalado com o cenário de destruição, que olhava incrédulo, João Rocha explicava que estava a cem metros da casa, em Vilarelho, Caminha, onde, esta quinta-feira, uma explosão destruiu um anexo — uma espécie de cozinha rústica — e mais sete moradias. O homem que construiu a casa onde se deu a explosão e outra ao lado, que ainda não vendeu, confessou que hesitou antes de correr para o local.
“Receava encontrar muitos mortos. Foi um milagre”, comentou sobre o facto de não haver danos pessoais a lamentar.
Do outro lado da rua, por volta das 9h30, quando se deu a explosão, Herculana Couchinho encontrava-se na marquise do seu apartamento e pensou que o prédio ia desabar. “Foi um clarão enorme e um estrondo horrível. As janelas e cortinas caíram em cima de mim. Pensei que o prédio vinha abaixo. Queria correr e o chão tremia. Foi horrível”, emocionava-se. A reacção foi fugir para a rua, como fez a vizinhança toda que correu a ver “de onde vinha aquilo”.
A cerca de seis quilómetros dali, num café da freguesia vizinha de Argela, Abel Cunha sentiu tremer a estrutura do estabelecimento. A curiosidade foi mais forte. Pagou a bica, meteu-se no carro e partiu à descoberta da origem do abalo. “Tremeu tudo no café e pensei que tinha sido nova explosão em Lanhelas, nas fábricas de pirotecnia”, afirmava já de olhos postos nos escombros do anexo que já fora uma cozinha.
Uma panela foi parar ao telhado, as telhas voaram em várias direcções, algumas pousaram nos galhos das árvores. Os muros das habitações vizinhas foram derrubados. Mais do que partir vidros, o impacto da explosão arrancou as molduras de alumínio das janelas.
Após uma inspecção aos destroços, fonte da Polícia Judiciária, confirmou que a explosão foi provocada por gás, admitindo que o motor do frigorífico que se encontrava no anexo tenha servido de ignição. E afastou qualquer hipótese de crime.
Mal refeito do sucedido, o dono da casa onde se registou a explosão, Vítor Fernandes, começava a calcular o prejuízo, já que não tinha seguro. “Vou pagar tudo e mais alguma coisa”, prometia. Ele já não estava em casa no momento do rebentamento, mas a mulher estava ainda deitada. Maria do Céu saltou da cama logo após o estrondo: “Vi logo a porta partida”, disse.
Os Bombeiros Voluntários de Caminha, que chegaram ao local às 9h47, procederam à primeira avaliação de danos. O levantamento final poderá levar dias, até porque muitos moradores não estavam em casa e algumas moradias são apenas residências de férias.
Da Câmara de Caminha veio uma brigada de funcionários para ajudar na remoção dos escombros . Segundo fonte da autarquia, ao princípio da tarde desta quinta-feira não tinha sido apresentado qualquer pedido de realojamento.

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