Motos destroem habitat raro nos Açores

Condutores de motociclos destruíram uma área sensível no Planalto dos Graminhais, na ilha de S. Miguel.

Planalto dos Graminhais fica na ilha de S. Miguel e é uma zona protegida Miguel Madeira/Arquivo

A Inspecção Regional do Ambiente dos Açores abriu um processo de contra-ordenação aos condutores de motociclos que no fim-de-semana passado destruíram centenas de metros de turfeiras no Planalto dos Graminhais, em S. Miguel.

Na terça-feira, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) denunciou a destruição das turfeiras, ecossistemas de zonas húmidas comuns nas zonas interiores dos Açores. A associação considerou “intolerável” este “atentado ambiental”.

A denúncia motivou um processo que deverá ser relativamente rápido, disse à Lusa a directora regional dos Recursos Florestais, Anabela Isidoro. Segundo esta responsável, será dado direito de audição e defesa aos prevaricadores, que serão mais tarde notificados das infracções e da decisão sobre este caso.

Fonte da Secretaria Regional dos Recursos Naturais adiantou à Lusa que o Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente da Guarda Nacional Republicana (GNR) deslocou-se ao local, juntamente com o vigilante da Natureza afecto àquela zona e membros da SPEA.

A mesma fonte referiu que os alegados infractores já foram identificados, cabendo agora à Inspecção Regional do Ambiente instruir o processo de contraordenação para aplicação de eventuais coimas.

Na zona em questão, o Parque Natural de Ilha de São Miguel, não é permitida a prática de desportos motorizados, nem foi solicitada autorização para realização de qualquer evento do género, acrescentou a mesma fonte.

De acordo com a legislação em vigor, as contraordenações ambientais graves para pessoas singulares têm coimas que variam entre os 2000 e os 10.000 euros, para pessoas colectivas a coima por negligência situa-se entre os 15.000 e os 30.000 euros e por dolo entre os 30.000 e os 48.000 euros.

Além da punição, a directora regional dos Recursos Florestais considerou que importa ter uma atitude pedagógica e preventiva de comportamentos, que neste ou noutros locais das ilhas, coloquem em risco a salvaguarda do património ambiental.

Habitats "raros e importantes"
Segundo a SPEA, a passagem das motas por “uma área sensível destruiu ao longo de algumas centenas de metros áreas de turfeiras já estabilizadas e em crescimento e provocou danos em estruturas de terra construídas no sentido de reduzir as escorrências e erosão”.

As turfeiras são habitats naturais “bastante raros e importantes”, já que estas “áreas húmidas funcionam como esponja”, aumentando a captação e retenção de água no solo, reduzindo a sua perda para o mar e permitindo a recarga das nascentes.

Grande parte das turfeiras existentes nos Açores já foram destruídas ao longo dos séculos devido à ocupação humana. Mas desde 2009 que estes habitats no Planalto dos Graminhais estavam a ser recuperados, através do projeto LIFE "Laurissilva Sustentável", implementado pela SPEA e pelo Governo açoriano.

Fonte da Secretaria Regional dos Recursos Naturais adiantou, ainda, que as autoridades regionais estão a investigar outro atentado ambiental, que terá ocorrido recentemente na Serra Devassa, localizada no concelho de Ponta Delgada, na ilha de S. Miguel.
 
 
 
 

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