Um grupo de deputados do CDS-PP na Assembleia da República perguntou ao Governo se pretende restringir Trás-os-Montes ao transporte rodoviário em pleno século XXI, na sequência da interrupção da carreira aérea Bragança-Vila Real-Lisboa.
Os voos, que se realizaram ininterruptamente durante 15 anos, estão suspensos desde 28 de Novembro por decisão do Governo, que alegou a oposição da União Europeia ao modelo de financiamento de 2,5 milhões de euros anuais.
Numa região onde não existe comboio e a rede de auto-estradas só agora está a ser concluída, os parlamentares do CDS-PP perguntam “se pretende o Governo, em pleno século XXI, que a mobilidade da região se restrinja à rodovia”. Na iniciativa parlamentar, os eleitos Vera Rodrigues, Abel Baptista, Helder Amaral, Altino Bessa e João Paulo Viegas questionam o Ministério da Economia sobre “para quando e de que forma pretende a reactivação desta ligação aérea”. Querem ainda que o ministério de Álvaro Santos Pereira explique qual o impacto da subvenção estatal desta linha aérea nas contas do país e o custo relativo, tendo em conta a sua cobertura de uma área territorial de cerca de 12 mil quilómetros quadrados.
Os deputados centristas pretendem ainda que a tutela esclareça qual o impacto da disponibilidade desta ligação nas actividades preponderantes na região, como a investigação, ensino superior, empresarial e turística, consideradas também “fundamentais para o país”. Perguntam também se o Governo considera que a proximidade e acesso rápido aos centros de decisão, que esta linha garante com a ligação Bragança-Lisboa em pouco mais de uma hora, é decisiva para a captação e fixação de investimento na região.
Perante a actual conjuntura da economia portuguesa, os parlamentares questionam “qual a garantia da existência desta linha aérea sem a subsidiação da concessão do Estado” e se é intenção do Governo desperdiçar os investimentos efectuados na melhoria das infra-estruturas aeroportuárias de Bragança e Via Real.
Os deputados questionam “qual é a estratégia do Governo para o desenvolvimento e afirmação das actividades emergentes da região e que apresentam um enorme potencial para o crescimento da economia nacional”. Apontam como exemplo os 19 milhões de euros que estão a ser investidos no Parque de Ciência e Tecnologia de Trás-os-Montes e Alto Douro com a previsão da criação de mil postos de trabalho e 180 empresas de base tecnológica.
No documento dirigido ao Ministério da Economia lembram que esta ligação “contribuiu para o desenvolvimento da região transmontana e para a coesão territorial do país” e que é a “única alternativa à rodovia na ligação à capital”.
O secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, afirmou recentemente que o novo modelo de financiamento deverá passar pelo apoio ao bilhete, mas não avançou datas para o retomar dos voos.

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