A comissão de trabalhadores (CT) da Metro do Porto afirmou esta quarta-feira estar chocada com o anúncio do corte de 50% do efectivo da empresa no âmbito da reestruturação da Metro e fusão com a Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP).
“A nossa reacção é de choque e surpresa”, afirmou Nuno Ortigão à Lusa, acrescentando que as cerca de 100 pessoas que trabalham na Metro “não entendem como é que se chega a este número quando a empresa é apontada por sucessivas administrações, por sucessivos Governos e autarcas, como um exemplo”.
Segundo o membro da CT, este número, que se traduz na eliminação de 53 postos de trabalho, “mais surpreende ainda quando os quadros são muito jovens, altamente qualificados e ao longo dos anos têm acompanhado o projecto, a construção, a concessão e subconcessão” de todo o metro. “É muito estranho que a empresa, que serve de exemplo, tenha que sofrer esta violência”, sublinhou.
Para Nuno Ortigão, “em termos práticos”, o eventual corte de 50% do efectivo da Metro “não vai resolver nenhum problema e vai colocar pessoas muito novas, com poucos anos de casa, descalças”. A CT acredita “ter condições para encontrar soluções” que evitem o corte de metade dos trabalhadores, que está previsto avançar em Janeiro, e por um período de dois anos, através da abertura de um programa de rescisões por mútuo acordo.
Nuno Ortigão disse ainda que a CT já solicitou “integrar o grupo de trabalho” que vai estudar a reestruturação da Metro, no âmbito da fusão com a STCP, para “ser parte activa” no processo. “Achamos que todos são necessários e acreditamos que este número seja um ponto de partida”, disse, referindo que quer o secretário de Estado dos Transportes, quer a administração já “mostraram abertura para que as coisas não sejam tão racionais”.
A Metro do Porto já admitiu pretender reduzir o número de efectivos da empresa, salientando, contudo, que o anúncio do corte de 50% dos trabalhadores é apenas “uma primeira abordagem, que está a ser trabalhada internamente”. Em todo o caso, a administração comunicou já aos trabalhadores que vai reduzir funcionários, sobretudo quadros técnicos e administrativos.
Em causa está a fusão da Metro do Porto com a Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP), que obriga à reestruturação das empresas e, consequentemente, à eliminação de cerca de 190 postos de trabalho, num universo de 1300. “É uma primeira abordagem, que estamos agora a trabalhar internamente, com o apoio e a colaboração dos quadros e dos trabalhadores de ambas as empresas e com as organizações que os representam”, afirmou, em declarações à Lusa, fonte oficial da empresa.
A mesma fonte salientou que a ideia é “melhorar, em conjunto com os colaboradores das duas empresas, o documento”, com a definição do calendário e de como será feita essa reestruturação da Metro e da STCP, já entregue em Outubro ao Governo.
“Vamos procurar melhorar este documento, sempre num clima de paz social com os representantes dos trabalhadores. Não prescindimos do diálogo e da transparência”, sublinhou a fonte.
Com a redução de 50% do efectivo da Metro, que deverá ser feita através de um programa de saídas voluntárias, a empresa pretenderá, segundo o Diário Económico da passada terça-feira, “obter poupanças de 1,1 milhões de euros”.

Comentar