Castelo de Palmela está às escuras e os de Setúbal e Alcácer querem ver luz

O castelo de Alcácer nunca teve iluminação e um estudo recente indica que há dificuldades técnicas para a concretizar Foto: Pedro Cunha

Por estas noites, ver os baluartes, cubelos e panos de muralhas do castelo de Palmela densamente iluminados só é possível contemplando postais antigos.

Os projectores que desde os anos 70 do século passado tornavam o monumento nacional bem visível de noite foram desligados, pelo menos, até ao final do ano, devido a obras no castelo.

A autarquia está a requalificar as galerias da Praça de Armas, a remodelar espaços museológicos e a Casa Capelo, obras orçadas em mais 350 mil euros, custo que é co-financiado no âmbito do PORLisboa, um programa comunitário do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN). A intervenção, com fim previsto em Janeiro de 2013, engloba intervenções nas rede de águas, drenagem de águas residuais domésticas, instalações eléctricas e telecomunicações, obrigando ao desligamento dos projectores que iluminavam o castelo durante a noite.

Adília Candeias, vereadora das Obras Públicas na Câmara Municipal de Palmela, garante que a interrupção "nada tem a ver com a contenção de custos a que as câmaras têm sido sujeitas".

"Tem havido avarias e houve a necessidade de desligar as luzes, pois tiveram de ser retirados alguns postes na empreitada junto ao miradouro do castelo devido às obras", explica, acrescentando que as luzes "voltarão a ser ligadas, se as obras correrem bem, no final do ano".

Entretanto, a autarquia tem planos para substituir a iluminação artística do castelo. "A iluminação exterior está obsoleta. Além do dispêndio de energia em causa e da frequente emissão de dióxido de carbono inerente à antiguidade e pouca eficiência energética de todo o suporte ilumino-técnico, já não é possível substituir muitas das lâmpadas", lê-se na documentação sobe o projecto de iluminação de exterior de monumentos e edifícios institucionais ou de interesse arquitectónico de Palmela.

A reformulação da iluminação, um plano conhecido como P7, é uma das acções previstas no projecto que visa dar nova cara ao centro histórico da vila, algumas das quais já estão em curso ou concluídas.

A presidente da Câmara de Palmela, Ana Teresa Vicente, no seu último mandato enquanto eleita pela CDU, assegura querer "reformular este projecto numa óptica de sustentabilidade financeira, no sentido de vir a ter uma iluminação mais barata".

"Vamos continuar a trabalhar no projecto para optimizá-lo, mas, com muita pena minha, não vai ser possível concretizá-lo em 2013, pois o QREN tinha mais projectos aprovados do que dinheiro disponível", informa.

Luz em Setúbal e Alcácer

Ao que o PÚBLICO apurou junto da EDP, a iluminação dos castelos é considerada de carácter decorativo e parte de iniciativa particular, normalmente das autarquias respectivas.

Setúbal e Alcácer do Sal são duas das autarquias que desejam ter os seus castelos iluminados, mas as dificuldades financeiras têm atrasado os respectivos projectos.

No caso de Setúbal, a iluminação do castelo, mais propriamente o Forte de São Filipe, está desactivada há alguns anos devido à degradação dos equipamentos de iluminação. A Câmara Municipal de Setúbal tentou, recentemente, avançar para a recuperação do sistema com o apoio de um programa comunitário que financiava acções de iluminação de monumentos nacionais, mas tal programa foi suspenso, pelo que a ideia, que se mantém válida, de recuperar aquela iluminação está neste momento suspensa.

Em Alcácer do Sal, a iluminação nunca existiu. Fonte da câmara lembra que há três anos foi pedido "um estudo ilumino-técnico para iluminar zonas específicas do morro e castelo de Alcácer do Sal". O resultado do estudo apontava para a possibilidade de o morro cair com o peso dos projectores.

"A zona não apresentava estabilidade suficiente para suportar as estruturas de iluminação, por ser uma zona de grande sensibilidade em termos de deslizamento de terras", adianta a mesma fonte. A câmara abandonou a ideia.

O castelo de Alcácer do Sal chegou a estar na lista dos monumentos a reabilitar, em 2009, ainda no Governo de José Sócrates, quando foi criado o Cheque Obra. O programa, uma das medidas mais emblemáticas do então ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, previa que cada empresa à qual fosse adjudicada uma obra pública de valor igual ou superior a 2,5 milhões de euros ficasse obrigada a realizar obras de recuperação de património sob supervisão do Instituto do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar). O programa foi suspenso em 2010 devido a problemas com benefícios fiscais.

Em Palmela, a luz pode voltar em 2013 e ainda com mais força em 2014. Até lá, a população e os turistas poderão contar apenas com o simulacro de incêndio, um espectáculo de pirotecnia anual, que ocorre por altura da Festa das Vindimas, que faz as muralhas do castelo parecerem estar em chamas.

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