A construção da futura loja IKEA, no Algarve, promete gerar controvérsia na campanha eleitoral para as autárquicas. “Apelo para que não vá para a frente, sem que haja contestação”, disse nesta segunda-feira, em conferência de imprensa, Paulo Neves, do PS, durante a apresentação da candidatura à presidência da Câmara de Faro.
O empreendimento, já com localização aprovada, situa-se no concelho de Loulé, mas Faro teme que venha pôr em causa a viabilidade de outras estruturas comerciais situadas na capital algarvia.
Paulo Neves manifesta-se contra o acordo celebrado entre Faro e Loulé para a delimitação territorial dos dois concelhos, recentemente assinalado. “Foi sonegada informação à Assembleia Municipal de Faro”, acusou, sublinhando que a loja do IKEA vai ser construída na zona de intersecção das duas cidades, numa área com 40 hectares, e esse facto, no seu entender, não foi devidamente tido em conta no ordenamento territorial: “Numa acção concertada com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR/Algarve), Loulé e Faro acertaram alterar os Planos Directores Municipais. Estranho a falta de discussão deste tema entre nós e, em particular, na Assembleia Municipal de Faro.”
O candidato, ex-presidente da Região de Turismo do Algarve, promete dinamizar a baixa da cidade e o comercial local “antes que o advento pernicioso do IKEA faça drenar para o concelho vizinho os rendimentos do concelho de Faro”.
A capital algarvia é uma “cidade triste, sem motivação”, governada por um município com “endividamento crónico”.
O quadro, assim descrito pelo candidato, exige tomadas de iniciativas urgentes: “Temos que fazer algo e temos que fazer algo já”, enfatiza, prometendo como primeira medida “tudo fazer para transferir parte dos serviços da Câmara para a Rua de Santo António [zona comercial tradicional]”. Por outro lado, a introdução dos parquímetros, em simultâneo com a oferta gratuita de estacionamento gratuito no centro comercial à saída da cidade, acentuou a queda de compras no comércio tradicional.
Paulo Neves não garante o regresso do parqueamento automóvel gratuito na baixa da cidade, o que se propõe é sensibilizar os empresários para que esse custo seja suportado pelos lojistas, quando são feitas compras.
Em relação às portagens na Via do Infante, pretende adoptar a mesma fórmula para atrair os turistas espanhóis. A taxa seria descontada nas pernoitas dos hotéis. O desemprego na actividade comercial, restauração e alojamento, diz, atinge quase 40%. “A situação social é de crise profunda”. A autarquia, reconhece, “não tem como apoiar directamente tanta gente”, mas manifesta a convicção de que o próximo quadro comunitário de apoio vai permitir dar “prioridade à intervenção económica e social” para minimizar os problemas com o concelho se confronta.

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