Presidente da autarquia suspendeu relações com uma associação de coleccionadores de armas dirigida por um juiz.
O presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, decidiu suspender "todo o relacionamento institucional" entre a autarquia e a Associação Portuguesa de Coleccionadores de Armas e determinou a abertura de um inquérito aos factos noticiados pelo PÚBLICO no domingo. Esta associação, à qual a câmara decidiu na semana passada entregar parte do Forte dos Oitavos para aí instalar a sede e o seu museu de armas, apresentou ao município, em 2009 e 2010, facturas falsas com o objectivo de receber um subsídio de 145 mil euros, em vez dos 115.000 devidos.
O subsídio em causa, a pagar mediante comprovativos de despesa, destinava-se a adquirir e a montar os equipamentos necessários à instalação do núcleo museológico da associação, que abriu em 2009 no centro da vila e fechou em Junho deste ano. Desde então, o material encontra-se num armazém camarário para ser remontado no Forte dos Oitavos. A apresentação de facturas inflacionadas por forma a receber mais 30.000 euros do que aquilo que gastou foi confirmada ao PÚBLICO pelo presidente da associação, o juiz Raul Esteves, que garantiu ter o município dado o seu acordo.
O PÚBLICO transmitiu esta acusação de conivência a Carlos Carreiras na sexta-feira passada, mas o autarca não fez qualquer comentário. Em resposta a novo pedido de esclarecimento sobre o caso, Carlos Carreiras limitou-se a enviar um despacho com data de domingo em que determina a realização de um inquérito para apuramento de "eventuais responsabilidades financeiras e/ou outras desde 2005, ano em que se iniciou o relacionamento com aquela associação". Os resultados do inquérito terão de lhe ser apresentados até dia 30.
Paralelamente, e enquanto esses resultados não forem conhecidos, o autarca decidiu suspender a deliberação camarária que autorizou a instalação da associação e do seu museu no Forte dos Oitavos.

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