Autarcas de Góis e Pampilhosa da Serra encaram com entusiasmo a eventual reactivação da antiga mina de ouro de Escádia Grande, na freguesia de Álvares (Góis), cujas prospecções para o efeito vão começar em Junho.
As primeiras prospecções “deverão durar pelo menos dois meses e há grande probabilidade de terem êxito”, disse hoje à agência Lusa a presidente da Câmara Municipal de Góis, Lurdes Castanheira.
Um aviso publicado nesta sexta-feira no Diário da República revela que a Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM) requereu à Direcção-Geral de Energia e Geologia a “atribuição de direitos de prospecção e pesquisa de depósitos minerais de ouro, antimónio, prata, cobre, chumbo, zinco, estanho, tungsténio e minerais associados”, na zona de Escádia Grande.
No entanto, a área onde uma equipa de geólogos da EDM vai trabalhar abrange território de vários concelhos: Góis, Pampilhosa da Serra e Arganil, no distrito de Coimbra, além de Castanheira de Pêra e Pedrógão Grande, no distrito de Leiria.
A mina de Escádia Grande foi abandonada em meados do século XX, mas, segundo Lurdes Castanheira, o Estado “tem hoje grande vontade de reactivar a exploração mineira” no país, incluindo nestes concelhos, que integram as serras da Lousã e do Açor.
Na serra da Lousã, a extracção de ouro remonta ao tempo da ocupação romana, há mais de 2000 anos. “Góis pode ser um filão interessante, nunca foi aprofundado”, disse a autarca do PS.
No concelho de Góis, além de ouro, outros produtos do subsolo foram extraídos ao longo do século passado, incluindo volfrâmio – do qual é retirado o tungsténio –, mas essa actividade, que teve grande importância durante a II Guerra Mundial, foi depois abandonada.
Naquele período de conflito global, com os Aliados e as potências do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) a negociarem com Salazar a importação de volfrâmio para a indústria militar, milhares de pessoas acorriam ao concelho de Góis para trabalhar na actividade mineira. Nessa época, salientou Lurdes Castanheira, a população do concelho de Góis rondava os 12 mil habitantes, que nas últimas décadas decaiu para menos de metade.
A autarca reuniu-se na quinta-feira com responsáveis da EDM, que admitiram “uma grande probabilidade” de as pesquisas darem resultados positivos. Também o presidente da Câmara da Pampilhosa da Serra, o social-democrata José Brito, aplaudiu a realização de pesquisas mineiras num perímetro da serra da Lousã que abrange o seu concelho.
Actualmente, enfatizou, dos 350 trabalhadores das minas de volfrâmio da Panasqueira, com sede no vizinho concelho da Covilhã, 90 trabalhadores (cerca de um quarto) são oriundos do município da Pampilhosa da Serra. “Estamos num tempo de aproveitar, cada vez mais, os recursos que temos”, disse, defendendo que a retoma da indústria mineira pode ser “um contributo para criar emprego e segurar os jovens” nos concelhos montanhosos do interior.

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