Autarcas algarvios denunciam fraude na recolha de roupas e calçado usado

Macário Correia admite fazer “participação criminal” por tentativa de suborno a uma funcionária da Câmara de Faro.

Em nome da caridade e da solidariedade, “há empresas com objectivos puramente comerciais” a recolher roupas, calçado e brinquedos usados. A denúncia parte do presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve – Amal, Macário Correia (PSD). No concelho de Faro, adiantou o autarca, cinco empresas pediram autorização para instalar contentores na cidade e nas juntas de freguesia.

Macário Correia, em declarações ao PÚBLICO, adiantou que está a estudar os “contornos formais” para fazer uma participação criminal sobre uma dessas empresas. “Nuns casos, houve uma tentativa de corrupção a uma funcionária, com oferta de 2000 euros para autorizar 50 posições [contentores] de recolha”, denunciou.

O autarca levou o assunto à discussão do conselho executivo da Amal, que decidiu alertar a opinião pública para a “falsa caridade” que se instalou na região, promovida por “empresas do Norte do país”. Estas, em vez de canalizarem os objectos doados para os fins de solidariedade que anunciam, utilizam as boas vontades dos cidadãos para “obterem fibras a custo zero, nas suas empresas lucrativas”.

A operação decorre há alguns meses nas várias câmaras algarvias, que têm vindo a ser contactadas para instalar em espaço público os contentores, a título gratuito. Nas últimas semanas, intensificou-se a acção.

Para obterem apoio social mais facilmente, diz Macário Correia, as empresas procuram “aliciar uma instituição particular de solidariedade social a associar-se à iniciativa”. Os presidentes de câmara consideram esta situação “fraudulenta” e deliberaram chamar a atenção das juntas de freguesia e outras entidades que “estão a colaborar com estas empresas, para que deixem de o fazer”.

          
 

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