Associação de Municípios diz que taxa sobre dormidas não põe em causa o turismo

ANMP considera que ninguém deixará de pernoitar num alojamento por ter de pagar mais 50 cêntimos ou um euro.

Em Portimão, no Algarve, já se deram os primeiros passos para a aplicação da taxa Enric Vives-Rubio/Arquivo

A Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP) defendeu nesta terça-feira a cobrança da taxa turística sobre as dormidas, argumentando que “não põe em causa a actividade turística”, uma medida que está a ser contestada no sector hoteleiro.

“A sugestão relativa à fixação desta taxa não põe em causa a actividade turística, não sendo pertinente ou razoável extrapolar ou argumentar que, por esse motivo – mais 50 cêntimos ou um euro –, alguém deixe de pernoitar em determinado alojamento turístico”, refere a ANMP em comunicado enviado à Lusa.

Na nota, aquela associação lembra que, em muitos países europeus, já se pratica uma taxa semelhante, que “incide sobre as estadias em empreendimentos turísticos (...), recaindo o encargo financeiro sobre a pessoa, singular ou colectiva – hóspede ou turista – que seja utilizadora dessas unidades de alojamento”. “De frisar que as empresas proprietárias desses empreendimentos turísticos não têm qualquer encargo acrescido com esta taxa”, frisa a ANMP.

Aquela associação acredita que a “escolha do empreendimento turístico não estará dependente da taxa turística a cobrar” e lembra que caberá aos municípios decidir a cobrança ou não da taxa e quais os empreendimentos turísticos abrangidos.

No final de Março, a ANMP enviou aos associados um regulamento-tipo para que os municípios possam cobrar uma taxa de 50 cêntimos a um euro sobre as dormidas. “O que fiz foi um regulamento-tipo, de acordo com a lei, para que os municípios possam adoptar uma taxa perfeitamente justificada, segundo a lei. Não é uma taxa turística. É uma taxa sobre as dormidas”, explicou na ocasião o secretário-geral da ANMP, Artur Trindade.

A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal criticou de imediato a taxa, que considerou ser “inaceitável”, e acusou a ANMP de “promover um saque de dezenas de milhões de euros às depauperadas subsistências” de empresas, “que diariamente vêem as suas receitas e resultados caírem a pique”.

Também a Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve criticou a proposta da ANMP, afirmando que é “atentatória dos interesses económicos regionais e nacionais.

As taxas já são aplicadas nos municípios de Aveiro, Portimão e Vila Real de Santo António.
 

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