O Instituto São João de Deus (ISJD), entidade que vai gerir a unidade da Gelfa, anunciou hoje a reabertura, durante a segunda quinzena deste mês, do antigo hospital psiquiátrico, situado no concelho de Caminha, agora integrado na rede de cuidados continuados.
Contactada pelo PÚBLICO a instituição, que em 2010 assinou um protocolo com a Administração Regional de Saúde do Norte (ARSN) adiantou estar garantida a dotação orçamental pública aguardada desde 2011. Segundo fonte do instituto, o acordo final foi alcançado na quinta-feira ao final da tarde, entre o ISJD e a ARSN, com a atribuição de uma dotação financeira anual que ronda os 900 mil euros.
Em causa estão 428 mil euros anuais, que deverão ser assegurados pelo ministério da Saúde, e 472 mil euros, pela Segurança Social.
A ARSN escusou-se a fazer grandes comentários sobre o assunto. Fonte da comissão directiva contactada pelo PÚBLICO afirmou que a ARSN apenas falará sobre este caso a partir da segunda quinzena deste mês quando estiver concluído e aprovado o plano funcional da rede nacional de cuidados continuados.
A fonte do ISJD garantiu que “está tudo pronto” para que as 41 camas disponíveis na unidade da Gelfa comecem a receber os primeiros doentes. Adiantou que os cerca de 30 profissionais que a instituição já havia seleccionado tendo como perspectiva o início de funções em Dezembro de 2011 vão agora “ser realocados”.
O ISJD irá igualmente proceder a trabalhos de limpeza no edifício, fechado há mais de um ano, e repor algum equipamento que já tinha sido retirado do interior do edifício para não se deteriorar.
O impasse na reabertura do antigo hospital, desactivado desde 1999, prolonga-se há mas de seis anos. O processo arrasta-se entre avanços e recuos, motivados primeiro por questões burocráticas, relacionadas com a propriedade do imóvel, depois por falta de financiamento.
A unidade esteve para abrir portas em Dezembro de 2011 tal como constava de um despacho conjunto de 2011 dos ministérios da Saúde e da Solidariedade Social, mas a falta de cabimentação orçamental da Administração Regional de Saúde do Norte (ARSN) impediu a sua entrada em funcionamento.
O ISJD detém a concessão do património durante 35 anos, e já investiu dois milhões de euros na sua reabilitação. Apesar do investimento realizado, o edifício “nunca sairá do domínio público”.
Localizada na freguesia de Âncora, no concelho de Caminha, a unidade pretende dar resposta ao internamento de longa duração na região Norte, lacuna há muito identificada no Alto Minho.
Ao todo, a unidade da Gelfa dispõe de 41 camas a integrar na Rede Nacional de Cuidados Continuados, como Unidade de Longa Duração e Manutenção.
Localizado junto à praia, o hospital foi alvo de obras profundas de reabilitação adjudicadas em 2002, que beneficiaram de apoios comunitários e terminaram em 2005. Apesar desta reabilitação, os sinais de degradação e desgaste, provocados pelo encerramento prolongado e por sucessivos actos de vandalismo, tomaram contra do edifício.

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