Alentejo quer conquistar americanos através da nostalgia

Novo produto turístico para o Alentejo apela ao regresso às origens

A nostalgia vai passar a ser um produto turístico alentejano oferecido a quem procura raízes na Europa rural.

John queria muito fazer "a viagem da sua vida". Queria experimentar voltar à terra dos pais, dos avós, assistir a um espectáculo de cante alentejano, degustar a gastronomia alentejana. John queria fazer um regresso ao passado e levar consigo alguns amigos que, muitas vezes, confundem Portugal com uma província espanhola. A partir de Janeiro, já o pode fazer através dos pacotes turísticos que estão a ser desenvolvidos pela Genuineland (Rede de Turismo de Aldeia do Alentejo) e que pretende trazer os turistas norte-americanos à Europa para nela visitarem destinos rurais.

Este produto turístico, que vai ser experimentado, numa fase inicial, nas terras de Alqueva, resulta de uma pesquisa internacional em turismo, elaborada por Áurea Rodrigues, e que teve como objectivo verificar que a nostalgia, enquanto sentimento de reflexão sobre as coisas associadas ao passado, é um factor de atracção turística.

Até ao final do ano vai ser finalizado um website que permite a divulgação de produtos e serviços associados ao produto "nostalgia", no qual o turista vai ser convidado a contar o que pretende conhecer, o que gostaria de experimentar, cabendo depois à Genuineland proporcionar um plano de viagem ajustado às expectativas individuais do visitante.

Áurea Rodrigues explica que a nostalgia pode advir "de experiências pessoais vividas pelo turista anteriormente no destino, através do contacto com familiares e amigos, ou através de fotos e meios de comunicação de massas como filmes, programas de televisão e revistas". Daí que a Genuineland esteja a preparar campanhas de marketing destinadas a produtores de filmes, de música para editoras, com vista a introduzir parte do produto nestes meios de divulgação.

A investigadora salienta que no estudo foram feitos questionários a residentes nos EUA que viajavam para zonas rurais de Itália (Toscana) e para Portugal, tendo constatado que os visitantes que viajam para Portugal fazem mais viagens de retorno às origens e têm tendência para serem mais nostálgicos do que os que iam para Itália. "Num país como Portugal que possui um número de emigrantes tão elevado, tanto de primeira como de segunda geração, é lamentável que o mercado da nostalgia não se encontre devidamente explorado, como acontece em destinos como a Irlanda ou a Escócia", refere Áurea Rodrigues.

Enquanto Portugal é um destino quase desconhecido para a maioria dos norte-americanos, a cultura da Toscana está presente no quotidiano através da restauração, marcas de produtos alimentares, livros e filmes que recriam este imaginário.

A directora da Genuineland, Apolónia Rodrigues, quer que o mesmo aconteça com o Alentejo, estando todos os operadores turísticos com que esta rede trabalha a ser informados deste novo produto. "É importante que estas pessoas sejam portuguesas, que transmitam a cultura alentejana, que saibam receber estes turistas, transmitindo-lhes, à chegada, o que é ser português", sustenta. Acrescenta que, na auscultação já realizada, "estão todos muito motivados e interessados em conquistar mais turistas".

Segundo o Turismo de Portugal, os EUA foram o mercado que mais cresceu a nível de entradas no país, nos primeiros seis meses de 2012, o que faz com que seja o nono principal mercado. A nível de receitas, os turistas norte-americanos representam o sétimo maior mercado. Para a Genuineland, estão reunidas todas as condições para, através da nostalgia, conseguir maior fidelização para destinos como o Alentejo.

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