Absolvidos militantes do PCP que pintaram inscrições nas Monumentais de Coimbra

Caso abriu polémica na campanha das legislativas de 2011. Tribunal concluiu que arguidos desconheciam que deixara de ser lícito pintar as escadas, como se fazia há décadas.

Monumentais estão inseridas na Zona Especial de Protecção decorrente da candidatura da Alta universitária de Coimbra a Património Mundial da UNESCO Sérgio Azenha/Arquivo

A Direcção Regional de Coimbra (DRC) do Partido Comunista Português (PCP) anunciou ontem que o tribunal considerou que a pintura das Escadas Monumentais, em Maio de 2011, foi um acto de propaganda político-eleitoral permitido por lei.

Três militantes do PCP acusados da prática de um crime pela pintura das Escadas Monumentais, em Coimbra, foram na quarta-feira absolvidos.

“O tribunal considerou como provado que ao longo dos últimos 39 anos as inscrições murais realizadas naquelas escadas, pelo PCP e CDU, bem como por outros intervenientes, correspondiam ao legítimo exercício da liberdade de expressão conferida pela Constituição da República Portuguesa”, diz o PCP, em comunicado.

A estrutura partidária indica também que, “de igual forma, entendeu o tribunal que este quadro legal viria apenas a alterar-se aquando da publicação do despacho publicado um mês antes dos factos em Diário da República e por via do qual se abriu o procedimento de classificação, no grau de interesse nacional, da Universidade de Coimbra, zona da Alta da cidade e Rua da Sofia, decorrente da inclusão na área de protecção da candidatura a Património Mundial” da UNESCO. “O tribunal considerou ainda que este novo enquadramento não era do conhecimento da generalidade da população de Coimbra, existindo, à altura, a convicção de que a CDU, à semelhança do que já havia feito numerosas vezes no passado, no mesmo local, estava a praticar um acto de propaganda político-eleitoral permitido por lei, não havendo por isso dolo, condição necessária para a punibilidade do crime”, sublinha o partido.

Este mural da CDU foi pintado durante a campanha eleitoral das legislativas de 2011. O mural ocupava os cinco lanços das escadas que ligam as cantinas universitárias ao largo de D. Dinis, na Alta, repetindo uma iniciativa que a coligação PCP-PEV concretiza há várias décadas, desde os tempos em que se designava APU. “Nem propinas/Nem Bolonha/Mais bolsas!/Leva a luta até ao voto!”, lia-se nos quatro níveis superiores das Monumentais. O último lanço era reservado às siglas e símbolos do PCP e de Os Verdes.

Conflito com academia de Coimbra

Em 2011, foram várias as vozes que acusaram a CDU de ter cometido um crime contra o património. Algumas elas partiram da própria academia de Coimbra que, por sinal, ao longo dos anos, também usou por diversas vezes a escadaria como suporte de propaganda. No auge desta polémica, durante o comício realizado então pela CDU em Coimbra, no qual interveio o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, um grupo de estudantes universitários organizou uma contra-manifestação: "Limpa, limpa, camarada limpa", cantaram.

A DRC do PCP considera também que “o empolamento dado a esta acção de propaganda da CDU e as orquestradas tentativas de boicote de acções da CDU só podiam ser lidos como uma campanha que se destinava a atingir a intervenção política da CDU e o que ela comporta de proposta alternativa ao rumo de desastre que está a ser imposto ao país”. O PCP reafirma, “para lá deste episódio, o firme propósito de continuar, como até aqui, a respeitar, divulgar e defender — exercendo — os princípios e direitos conferidos pela Constituição (...), nomeadamente aqueles relacionados com a sua liberdade de propaganda e intervenção política, no sentido de contribuir para o esclarecimento (...) do povo português.
 
 
 

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