Vinte sítios da cidade do Porto que são exemplos de boa arquitectura

A secção regional do Norte da Ordem dos Arquitectos já escolheu. A lista inclui hotéis, cafés, restaurante, ateliers e lojas. Vão dar origem a um roteiro para ajudar a descobrir a cidade de outra forma

O que têm em comum a Almada Guesthouse, o restaurante Goshò, o Grande Hotel do Porto ou a loja do estilista Luís Buchinho?

Podia ser um quiz de Verão, mas não é. Este quatro sítios da cidade do Porto, e mais outros dezasseis, estão todos na primeira selecção de projectos de excepção feita pela secção regional do Norte da Ordem dos Arquitectos no âmbito do projecto Respect for Architecture, Porto 2012. A escolha, a que o PÚBLICO teve ontem acesso - e que poderá ser conhecida a partir de Setembro graças a uma videoexposição que estará patente em vários locais da cidade, incluindo o Metro do Porto -, vai dar origem a um mapa-roteiro que poderá guiar uma visita à cidade diferente da tradicional peregrinação pelos ícones do costume. Os projectos eleitos passarão ainda a poder ostentar um selo criado para o efeito pelo atelier R2 Design.

Esta primeira selecção, segundo a Ordem dos Arquitectos, apostou em promover e divulgar um conjunto de projectos que de algum modo estão relacionados com a oferta turística da cidade, nomeadamente no domínio da hospitalidade, da restauração e do comércio. A maior parte são equipamentos hoteleiros do género hostel ou guest-house, como o bed & breakfast The Four Rooms, que o Prizker Eduardo Souto de Moura desenhou na acanhada Rua do Padre Luís Cabral, na Foz velha, ou a Casa do Conto, da Rua da Boavista. Mas a lista inclui outras propostas, como a Loja da Cutipol desenhada por José Carlos Cruz, ou a loja do estilista Luís Buchinho, criada por António Cabral Campello.

Os restaurantes estão igualmente representados, com os japoneses Goshò, da aNC Arquitectos, e Ichiban, de Duarte Morais Soares, a pizaria Casa da Baixa (Rocha Leite) e o Casa d"Oro (Miguel Tomé). A selecção inclui ainda o atelier de arquitectura/galeria de arte ASVS, da Rua de Santa Catarina, e o projecto Arquivo, de Tiago Arêde Júdice, um edifício da Praça da República que passou a albergar um restaurante, um espaço de "serviços artísticos" e uma loja de mobiliário.

Na lista estão ainda os projectos hoteleiros Apartreboleira e BNapartments RIO (ambos de António Portugal e Anne Wermeille Mendonça), o Café Vitória (de Miguel Tomé, outro dos repetentes da selecção), o 3C Clérigus Café Clube (Paula Tinoco, GAAPE), o Miss"Opo (Gustavo Guimarães), a Pensão Favorita (Nuno Sottomayor), a Rosa Et Al Townhouse (Emanuel de Sousa) e a The White Box House (Filipa Guerreiro e Tiago Correia).

Trata-se, considerou o júri, de "projectos exemplares" na criação de um ambiente urbano de qualidade e de uma oferta turística diferenciada, preservando os valores culturais intrínsecos do lugar. "São obras de iniciativa privada, que respeitam o património edificado da cidade no sentido mais lato, as preexistências, e que celebram também o respeito mútuo entre promotores de projectistas", salienta Ana Vieira Neto, que, com Luís Tavares Pereira, foi responsável pela escolha. "Também tivemos em conta o impacte que estes projectos tiveram na cidade, bem como a regeneração urbana que a iniciativa privada está a induzir", acrescenta a comissária, segundo a qual o enorme potencial turístico do Porto tem que passar pela preservação de "um certo sabor que a cidade tem".

A selecção contou com 22 candidaturas espontâneas, às quais se juntaram obras indicadas pelos dois comissários, num total de quase cem projectos. Os dois comissários estão ainda a preparar um documento com as conclusões que esta iniciativa permitiu retirar, sublinhando, por exemplo, que a esmagadora maioria das obras seleccionadas se concentra na Baixa, não tendo sido possível escolher qualquer projecto na zona oriental.

A selecção Respect for Architecture vai passar a ser feita a cada dois anos. Segundo Ana Vieira Neto, o âmbito da iniciativa deverá, em futuras edições, ser alargado a outras cidades e países, como uma marca de arquitectura de qualidade. Nesta primeira edição, acrescenta a comissária, "entendeu-se que não fazia sentido balizar temporalmente os projectos a concurso", mas é provável que as próximas selecções premeiem apenas trabalhos mais recentes.

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