Prémios Best City de Viana do Castelo e Viseu implicaram pagamentos

PÚBLICO tentou, sem sucesso, ouvir a European Business Assembly, que atribuiu os galardões às duas cidades portuguesas.

Autarca diz que Viana também paga para hastear bandeiras azuis Paulo Pimenta

O alerta sobre os prémios atribuídos a Viana do Castelo e Viseu surgiu nas redes sociais, apoiado em textos publicados em media estrangeiros, e o PSD de Viana fez eco dele.

Eduardo Teixeira, o candidato à câmara e líder da distrital do PSD exigiu ontem, em nota enviada à imprensa, que a autarquia ou o presidente, o socialista José Maria Costa, revelem quanto pagaram para serem "distinguidos" com os prémios, e em que é que a atribuição destes se baseou.

Os prémios Best City [Melhor Cidade] e Melhor Autarca são atribuídos pela associação European Business Assembly (EBA), que o PÚBLICO tentou ouvir. Os galardões de 2013 serão entregues na Suíça, a 30 de Junho e 1 de Julho. Mas, segundo vários relatos de jornalistas estrangeiros reproduzidos esta semana nas redes sociais, os prémios em causa são qualquer coisa entre o conto do vigário e a exploração da "pura vaidade" dos distinguidos.

Com sede em Londres e delegações em vários países, a EBA envia, segundo os mesmos artigos, centenas de cartas, sobretudo para países em desenvolvimento, anunciando que determinada instituição ou personalidade ganhou um prémio. Se o destinatário mostrar interesse, o processo desenrola-se. O prémio não é pago enquanto tal: o que se paga é a divulgação da sua atribuição. As distinções são às centenas e diversificadas.

O presidente da Câmara de Viana confirmou ao PÚBLICO que o município pagou 3400 euros pela inscrição na EBA e pela utilização, durante cinco anos, da chancela da associação na promoção do concelho. José Maria Costa disse não ver aqui "nada de anormal". "O custo de inscrição é equivalente ao que o município paga quando faz as candidaturas às bandeiras azuis, que este ano orçaram em 3080 euros." Costa acrescentou não ter motivos para desconfiar da EBA e lamentou que "exista gente no país e na cidade que esteja a desvalorizar o reconhecimento internacional do que se faz bem". "Fico muito feliz por ir receber este prémio. Não quero valorizar aqueles que pensam pequenino e que só querem maledicência", rematou.

O presidente a Câmara de Viseu, o social-democrata Fernando Ruas, diz que, até "prova em contrário", acredita na EBA, embora tenha pedido mais informações sobre o organismo. "Vou saber mais, nem que seja junto dos embaixadores da Inglaterra e da Suíça". Ruas, que anunciou em Abril que iria receber a distinção, negou que o prémio tenha dependido de "pagamento". "O que mandei pagar foi a inscrição no congresso". Do valor pago não se recorda, mas afirma que é normal que se pague uma inscrição. "Se o faço até para os congressos do meu partido!" Para o autarca quem levanta suspeitas deve apresentar provas. "Fico espantado ao ver que, quando há elogios à cidade, a primeira coisa que fazem é apoucar. Parece que fazem gala de que Viseu nunca seja um município premiado".

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