Pedido de classificação como Património de Interesse Nacional visa salvar a Linha do Tua

O requerimento é uma iniciativa de "Os Verdes". Se a linha for submersa pela barragem, a Câmara de Mirandela quer que a EDP dê parte dos lucros à região

"Imagina o que era submergir o Mosteiro dos Jerónimos?" A pergunta de Manuela Cunha, dirigente do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) e defensora assumida da Linha do Tua, uma via com mais de 120 anos, dá o mote para o requerimento que será entregue esta manhã na sede do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar), o Palácio da Ajuda, em Lisboa.

Mais de cem figuras ligadas ao meio artístico, cultural e político subscrevem o documento que pretende dar início ao processo que, esperam, venha a considerar a Linha do Tua Património de Interesse Nacional. Desta forma, querem impedir que os últimos 17 quilómetros da via (de um total de 57, entre Mirandela e a foz do rio Tua) venham a ser inundados pela construção de uma barragem. "Ainda por cima, é o troço que, do ponto de vista da engenharia, da audácia da obra e do número de obras de arte, é o mais importante", sublinha Manuela Cunha. "Aquela linha tem um valor patrimonial único e é património da região e do país", acrescenta a primeira signatária do documento. O ex-deputado Francisco Lopes e os historiadores Martins Pereira e José Lopes Cordeiro são outras figuras que assinam o requerimento.

"O objectivo não é fazer uma petição, até porque isso já foi feito e recolheu mais de cinco mil assinaturas, mas dar início ao processo de classificação da Linha do Tua como Património de Interessa Nacional", diz Manuela Cunha. "Nesta lista estão inclusivamente pessoas que não são antibarragens, como alguns engenheiros, mas que defendem que a linha deve ser preservada", sublinha. "Porque a submersão da linha seria uma perda identitária irreparável", reforça a dirigente do PEV, que nas últimas legislativas foi cabeça de lista da CDU pelo distrito de Bragança.

O Igespar terá 20 dias para analisar a documentação, que inclui fotografias, uma fundamentação histórica, bibliografia e um parecer do Comité Internacional para a Conservação do Património, um órgão consultivo da UNESCO. Caso esteja em conformidade, o processo será analisado, esperando-se uma decisão no prazo de um ano.

3% dos lucros da EDP

A EDP propõe viagens de barco como alternativa de transporte ao troço da linha que ficará submerso pela barragem de Foz Tua. Mas esta solução, adianta a Lusa, é contestada pelo presidente da Câmara de Mirandela, que insiste na manutenção da ferrovia. José Silvano disse anteontem à Lusa que vai fazer chegar os seus argumentos contra a proposta à comissão de acompanhamento do processo da barragem, até 21 de Abril, o prazo es- tipulado para a autarquia e outros interessados se pronunciarem sobre esta matéria.

Silvano continua a defender a Linha do Tua e só concebe uma alternativa, caso seja impossível impedir o enchimento da barragem: que a EDP reparta os lucros com a região. O autarca reclama "três por cento dos resultados da produção de energia nas barragens de Trás-os-Montes", o que, segundo as contas que faz, daria o equivalente a 180 milhões de euros por ano para os transmontanos.com Lusa

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