Setenta artistas, de várias nacionalidades, inspiraram-se no "fiel amigo". Exposição e aquário abrem no domingo
Há muito que Ílhavo vem ostentando o título de capital portuguesa da tradição e história da pesca do bacalhau e, a partir de domingo, conquista mais um ponto a favor dessa fama. No dia em que procede à inauguração do primeiro aquário de bacalhaus do país, o município dá a conhecer ao público uma exposição colectiva internacional inspirada, claro está, naquele que é o grande ícone da gastronomia nacional.
Sete dezenas de artistas plásticos, das mais variadas nacionalidades, foram desafiados a desenvolver obras de pintura, escultura e fotografia em torno da temática do bacalhau e o resultado promete surpreender. A mostra Bakalhau vai estar patente em cinco espaços culturais do município, mas já está a suscitar interesse além-fronteiras - perspectiva-se já, por exemplo, a sua ida para o Canadá.
Nuno Sacramento, galerista e curador da exposição, juntamente com o seu pai, José Sacramento, destaca o leque de artistas que participam nesta mostra, bem como a grande variedade de estilos e linguagens que foram conseguidas no conjunto das 74 obras de arte que integram Bakalhau. "Conseguimos juntar um conjunto de artistas emergentes, mas muito bons", sublinha o galerista, ao mesmo tempo que sublinha o trabalho de investigação e enquadramento que grande parte dos pintores e escultores teve de fazer.
"Muitos deles são estrangeiros, nomeadamente cubanos, venezuelanos ou argentinos, entre outros, e não conheciam a nossa tradição em torno da pesca do bacalhau", explica. Foi, então, necessário enviar-lhes "vários documentos, filmes e fotografias sobre a pesca do bacalhau", refere, e aguardar que a inspiração em torno do fiel amigo desse os seus frutos.
Os resultados desse trabalho, iniciado há cerca de um ano, serão dados a conhecer ao público ao longo dos próximos três meses - a mostra mantém-se patente até finais de Março -, na certeza de que há já várias peças que estão a merecer uma atenção especial por parte de alguns coleccionadores de arte. É o caso da escultura da autoria da portuguesa Mariana Gillot, que apresenta um bacalhau decorado com moedas, ou da tela da cubana Mabel Poblet, intitulada Sussurro del Mar, entre outras obras de arte que, a partir de domingo, estarão ao alcance da vista de todos.
Albano Martins, Gil Maia, Sobral Centeno, Paulo Neves e Carla Faro Barros estão entre o leque de artistas que assinam a Bakalhau, juntamente com o cubano Ernesto Rancaño, o espanhol Angeles Oria, a venezuelana Elizabeth Leite, o angolano Délio Jasse ou o argentino Fabio Camarotta. As suas obras estarão repartidas por cinco pontos distintos: Centro Cultural de Ílhavo, Centro Cultural da Gafanha da Nazaré, Navio-museu Santo André e, como não podia deixar de ser, Museu Marítimo de Ílhavo.
A abertura oficial da mostra acontecerá em simultâneo com a inauguração do tão falado Aquário de Bacalhaus de Ílhavo - a festa está marcada para domingo, às 16h30 -, uma vez que a Bakalhau surge como "um evento associado", refere Nuno Sacramento. "A exposição começou a ser pensada antes de se falar no Aquário, mas esta nova aposta do Museu Marítimo de Ílhavo acabou por se tornar numa feliz coincidência, razão pela qual decidimos juntar os dois eventos", conta o galerista.
Os dois estão de tal forma unidos que, por força do adiamento da inauguração da nova estrutura do museu - a festa chegou a ser anunciada para o passado dia 16 de Dezembro -, a apresentação da mostra também veio a ficar suspensa. Agora, à segunda, será de vez.

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