Guimarães projecta um museu sobre a cidade que vai ser feito pelas pessoas

Designado Casa da Memória, o equipamento será inaugurado durante a Capital Europeia da Cultura de 2012

A partir de 2012 Guimarães vai ter uma nova porta de entrada, a Casa da Memória. Este novo museu, a instalar numa antiga fábrica na principal artéria de acesso à cidade, tem um conceito inovador, com uma exposição permanente construída a partir de peças e memórias doadas pela população. O projecto é da Sociedade Martins Sarmento (SMS) e da Universidade do Minho (UM).

A ideia forte do novo museu é o envolvimento da população local. "Queremos que este se torne um espaço em que os vimaranenses venham a rever-se e, nesse sentido, queremos que seja construído com as suas memórias", explica o presidente da SMS António Amaro das Neves, um dos principais responsáveis pelo projecto.

A Casa da Memória vai cruzar as pequenas histórias de Guimarães e dos vimaranenses com a grande história da cidade, no contexto nacional e europeu. Ao longo dos próximos meses, a equipa da SMS e da UM vai à procura das memórias da população local, sejam elas imateriais - através de recolhas de histórias de vida - , ou materiais, pedindo às pessoas que doem ao museu objectos como fotografias, peças de decoração ou quadros, por exemplo, que, mesmo que não tenham um grande valor material, podem ter uma história interessante para contar.

Daí que as duas instituições responsáveis pelos conteúdos da Casa da Memória tenham lançado, esta semana, um desafio aos vimaranenses para que contribuam para o projecto e o assumam como seu. "A cidade ainda não está completamente envolvida nos processos da Capital Europeia da Cultura [CEC] e sentimos necessidade de fazer este apelo para que as pessoas se envolvam", sublinha o presidente da SMS.

O projecto do museu, explica, vai ser concretizado aproveitando os fundos gerados pela CEC, mas tem uma história própria. "A Casa da Memória está muito para além do horizonte de 2012. Vai fazer parte do legado com que a cidade vai ficar, na sequência do evento", afirma Amaro das Neves, lembrando que a ideia original nasceu em 2005.

O museu quer ser também um espaço obrigatório para os turistas que visitem a cidade. "Temos a ambição de torná-lo numa porta de entrada para a descoberta de Guimarães pelos que a visitam", avança. O objectivo é fazer da Casa da Memória um verdadeiro centro de interpretação da cidade, mostrando a quem a procura os locais mais interessantes que podem ser visitados e explicando também o "como" e o "porquê" de estarem ali.

O museu vai ficar instalado numa antiga fábrica de plásticos, na Avenida Conde de Margarida. Os cinco edifícios que constituíam a unidade industrial vão ser recuperados e ficarão ligados por uma arruamento que existia no interior da fábrica e que vai ser transformado num espaço público.

Além do espaço expositivo, o equipamento terá uma loja, um bar e um restaurante que será uma espécie de cozinha experimental, onde os visitantes podem conhecer os principais pratos e os doces típicos da gastronomia local. A obra é da responsabilidade da Câmara de Guimarães e vai custar 2,3 milhões de euros, tendo um prazo de execução de 12 meses.

Os conteúdos da futura Casa da Memória vão ter por base um conjunto de trabalhos científicos que estão a ser produzidos por investigadores ligados à Universidade do Minho (UM). O trabalho está no terreno desde o Verão e tem por base dez unidades de pesquisa, que juntam 35 especialistas em áreas como a história, a sociologia ou a etnografia. "Juntámos alguns dos maiores especialistas nas diversas áreas e conseguimos reunir uma equipa que é à prova da bala, no que toca à sua reputação", salienta Amaro das Neves.

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