Estudaram os topónimos do Porto para terem histórias a contar aos turistas

O projecto vai ter continuidade, ainda que a cargo de outros alunosO primeiro percurso, ainda sem periodicidade estabelecida, só contou com turistas portugueses Nuno Alexandre Mendes

Ruaria-Todas as Ruas Têm Nome é um projecto desenvolvido por alunos da Universidade Lusófona do Porto que alia Cultura e Comunicação. É um serviço oferecido aos turistas, é um presente para a cidade

Explorar e desvendar a história das mais emblemáticas ruas do centro histórico da cidade do Porto. Este é o principal objectivo do projecto Ruaria - Todas as Ruas Têm Nome, desenvolvido por um grupo de cerca de 3o alunos do 2.º ano do curso de Ciências da Comunicação e da Cultura da Universidade Lusófona do Porto.

O projecto fez-se pela primeira vez à rua na manhã de anteontem, com a realização de um percurso turístico, cujo trajecto teve início na Universidade Lusófona do Porto, localizada junto à muralha Fernandina. Seguiu pela Calçada da Vandoma, Praça Almeida Garrett, Rua das Flores, Rua de Sousa Viterbo, Praça Infante D. Henrique, Rua Ferreira Borges, Rua Belmonte, Rua das Virtudes, Rua D. Barbosa de Castro, Rua de Senhor Filipe de Nery, Rua dos Clérigos, Praça da Liberdade e regressou à Praça Almeida Garrett.

Participaram na iniciativa cerca de trinta turistas, devidamente acompanhados pela turma que tinha dois alunos destacados para desempenharem o papel de guias, tecendo explicações históricas sobre a designação das ruas por onde iam passando. Mas não foi tudo. Ao longo do passeio, que durou cerca de duas horas, os estudantes foram promovendo outras actividades mais lúdicas, embora sempre com forte componente informativa e cultural. Na Rua das Floresofereceram-se flores. S. Domingos, Ferreira Borges e outros que deram nome a ruas do Porto foram retratados pelos alunos de Design de Comunicação. E, já ao final da manhã, a Samarituna (Tuna Feminina da Universidade Lusófona) actuou na Praça Almeida Garrett, diante da Estação de S. Bento. "Queríamos mostrar também um pouco da tradição académica", justifica um dos guias, Sérgio Ferreira.

Tudo começou numa sala de aula onde o professor de Comunicação e Assessoria, Sérgio Denicoli, lançou um desafio à turma: criar um produto, no caso um evento, e promovê-lo. "Optámos por um projecto no qual os alunos pudessem pôr em prática o que aprenderam durante as aulas teóricas", explica o docente. "Tiveram a ideia de estudar o nome das ruas da cidade do Porto. Quem são as personalidades que dão nome a essas ruas?". Ponderadas outras ideias, este acabou por ser o tema escolhido, por votação, pelos alunos da turma. "Não há nada melhor do que dar a conhecer as ruas do Porto para relacionar as áreas da Comunicação da Cultura", explica o "guia" Sérgio Ferreira.

Para a realização do tour de anteontem, a turma optou pela zona histórica do Porto, entre a Ribeira e os Clérigos, por ser relativamente perto das instalações da Lusófona, junto à Praça da Batalha, e por querer oferecer uma alternativa aos habituais roteiros turísticos, centrados, por exemplo, na Avenida dos Aliados e nas caves de vinho do Porto. Sérgio explica que pensaram em sítios "que tivessem História, mas que não fossem tão visitados pelos turistas", que, por norma, "não conhecem as ruas mais interiores".

O professor Denicoli dividiu a turma em grupos e cada um ficou responsável pelas diferentes áreas, desde a comunicação externa, ao marketing, passando pela documentação histórica. "Fizeram pesquisa, foram às bibliotecas procurar material aprofundado", conta. A Rua das Flores é a preferida de Sérgio, por ter sido a primeira cuja construção foi pensada e planeada, inclusive ao nível da paisagem urbana. "As varandas têm a mesma altura, o mesmo comprimento e estão alinhadas", aponta.

O público-alvo do Ruaria seriam os turistas estrangeiros e um dos guias até estava preparado para falar em inglês. Mas só apareceram portugueses, e maioritariamente do Porto ou arredores. "Não conseguimos chamar os estrangeiros", lamenta Sérgio.

O director do curso de Ciências da Comunicação e da Cultura, Luís Miguel Loureiro, garante que a iniciativa "há-de continuar", ainda que já pelas mãos de outra turma. Realça a autonomia evidenciada pelos alunos na produção da iniciativa de anteontem. Já o professor Sérgio Denicoli viu nesta experiência uma "mais-valia" pedagógica é até "um presente para a cidade do Porto".Apesar da ausência de turistas estrangeiros, a turma considerou o evento "um sucesso". O professor fará a avaliação definitiva.

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