Associação Panteras Rosa propõe a criação no Porto de espaço contra a discriminação

Concentração marcada para a Avenida de Fernão de Magalhães evoca, esta manhã, o homicídio do transexual Gisberta, ocorrido há cinco anos

Cinco anos após o assassinato da transexual Gisberta, a associação Panteras Rosa quer ver criado no Porto um espaço público de luta contra a discriminação por causa da orientação sexual.

"Vamos pedir à Câmara Municipal do Porto que comece a tomar medidas de apoio aos mais desprotegidos, transexuais, prostitutas e pobres que estão a sofrer mais com esta crise. Queremos que a autarquia crie maneiras de as proteger, pelo que vamos pedir que marque um espaço público de luta contra a transfobia, homofobia e discriminação", afirmou à Lusa Irina Castro, porta-voz das Panteras Rosa, associação de defesa dos direitos LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros).

A associação promove hoje, pelas 11h, uma concentração na Avenida de Fernão de Magalhães, frente ao local onde o corpo de Gisberta foi encontrado há cinco anos, a 24 de Fevereiro de 2006. "O acontecimento trágico que não esquecemos tornou-se um símbolo internacional da luta contra a discriminação e pela autonomia das pessoas transexuais", refere um comunicado da associação divulgado a propósito do quinto aniversário da morte de Gisberta.

Para as Panteras Rosa, "mais do que uma homenagem à vítima, é continuar uma luta que foi recentemente reconhecida pela maioria dos deputadas e deputados na Assembleia da República, uma luta do conjunto do movimento LGBT e das pessoas transgénero em particular, uma luta pela dignidade e pelos direitos humanos".

Hoje, a associação irá divulgar uma carta que será entregue aos órgãos municipais da cidade "no sentido da sua intervenção para que o exemplo da Gisberta e das condições trágicas da sua morte não mais possam ser esquecidas na cidade do Porto".

Gisberta é o nome por que ficou conhecido Gisberto Santos Júnior, um transexual que deixou uma casa da Rua de Coelho Neto, no Porto, para se fixar num parque de estacionamento, onde mais de dez adolescentes o iam agredir. O transexual, de 44 anos, morreu em Fevereiro de 2006 após várias agressões, tendo o seu corpo sido encontrado submerso num fosso, depois de um dos jovens ter contado o sucedido a um professor.

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