A grande maioria das intervenções previstas no programa de concessão não se vão concretizar e as poucas variantes que se chegaram a iniciar estão paradas há quase um ano
O presidente do Turismo do Algarve, Desidério Silva, vai pedir uma reunião com "carácter de urgência" ao primeiro-ministro, para que seja cumprida a promessa de requalificação da Estrada Nacional (EN) 125. Os pontos negros da via, com a acentuada degradação do piso, tornam-se ainda mais evidentes e a imagem da "estrada da morte" reflecte-se na economia e altos níveis de sinistralidade. A maior parte das obras previstas para o próximo ano não se vão concretizar. A renegociação do contrato de concessão e requalificação, assinado em 2009 com a empresa Rotas do Algarve Litoral, implica quebra no investimento e lança dúvidas sobre quem irá fazer a manutenção em 2013.
Desidério Silva reuniu-se há cerca de uma semana com o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, para lhe dar conta do "descontentamento" sobre a qualidade das infra-estruturas públicas e falta de medidas para reanimar a economia, inseridas no pacote de "incentivo ao turismo residencial". Nesse contexto, salientou a "urgência" no retomar das obras (poucas) de requalificação da EN125 que se iniciaram, mas estão paradas desde Março. Esta estrada, que funciona como uma "avenida" que atravessa o Algarve de uma ponta à outra, disse, "encontra-se em péssimo estado de conservação, e é por aqui que se processa a maior parte do tráfego do aeroporto para os hotéis - é o espelho da região".
Segundo Desidério Silva, o ministro manifestou-se "muito interessado" em contribuir para acelerar o processo das obras, mas o representante do turismo entende que o caso deve subir ao nível do primeiro-ministro. "Não vou largar, este é um assunto com prioridade", sublinhou, acrescentando que está em causa um "dos sectores mais importantes da nossa economia [o turismo]". O perigo para a circulação não se encontra só nos chamados "pontos negros", os buracos e piso danificado surgem de forma inesperada. Os transportes pesados, desde a introdução de portagens na Via do Infante, há um ano, deslocaram-se com maior intensidade para a estrada/avenida, ladeada de habitações, mas considerada alternativa à via rápida.
O projecto de requalificação arrancou com a construção de três de variantes - Lagos, Almancil/Troto, Faro - e ainda a estrada que liga Guia a Albufeira. Os trabalhos, porém, pararam em Março, devido a dificuldades das construtoras em se financiarem junto do banca. De acordo com a informação prestada pelas Estradas de Portugal (EP) à agência Lusa em Novembro do ano passado, o projecto de construção de novos lanços e requalificação estaria concluído no segundo semestre de 2013, englobando um investimento de 180 milhões, a suportar pela subconcessionária. Os cortes orçamentais ditaram mudança de planos e objectivos.
O acordo alcançado pelo Governo, no âmbito da renegociação das parcerias público-privadas (PPP), há dois meses, aparentemente, permitiu desbloquear o impasse e retomar as obras, reduzidas a uma versão minimalista. O PSD-Algarve, em comunicado, anunciou o retomar "com efeito imediato das obras de modernização desta importante estrada algarvia com uma poupança de 155 milhões de euros". Assim, o novo contrato assinado entre a EP e a subconcessionária Rotas do Algarve Litoral já não inclui a construção das variantes da EN125 a Odiáxere, Olhão, Luz de Tavira e à EN2 entre Faro e São Brás de Alportel.
Por outro lado, a manutenção e conservação de 93 quilómetros da EN125, que faziam parte da subconcessão, passam para a responsabilidade directa da EP, mas só partir de 1 de Janeiro de 2014. "Até lá, o que vai acontecer a esta estrada que está numa desgraça?", interroga-se Desidério Silva.

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